terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A Lei de Zeca


Grande Nailor Marques Jr.

Um grande mestre, professor que me ensinou a importância da Literatura, a função da Arte.
Mostrou-me que o sucesso só é alcançado com muito estudo.





A lei de Zeca


Diz uma história, que numa cidade apareceu um circo, e que, entre seus artistas, havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural, que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar, para que assistissem ao tal artista, que possuía o dom de eliminar angústias.Um dia, porém, um morador desconhecido procurou o doutor, tomado de uma profunda depressão. O médico então, sem relutar, indicou-lhe o circo, como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou: “não posso procurar o circo... aí está o meu problema: eu sou o palhaço”.Como professor, vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalha para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento), porque depois de formados meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos juntos. Parece que quando meus meninos caem no mercado de trabalho, a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio.Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores. Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso. Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele. “O importante professor é que o cara embolsou milhões”, disse-me um; outro: “daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico”, todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça. O pior é quando a gente se dá conta que no Brasil é assim mesmo, sente-se maio sem saída, parece que só o que vale é a lei de Gérson: “o importante é levar vantagem em tudo”. A pergunta é: é possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém ganhar, é óbvio que alguém tem de perder.A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado; é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada; é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha; é cortar a fila do cinema ou da entrada do show; é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu; é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça; é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas; é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba; é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde; é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas; é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto; é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas; é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas (assim como costuma fazer a dupla sertaneja Lula e Duda). É a lógica da perpetuação da burrice. Quando um país perde, todo mundo perde. E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Parafraseando Schopenhauer: não há nada tão desgraçado na vida da gente, que ainda não possa ficar pior.Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. A luz é e sempre foi a metáfora da inteligência. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter. Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História, quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros. Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dirceus, Dudas e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes, de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro, para país do só furo. De um presidente da república espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência. De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) agindo como quem é honesto. A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos. Quem plantar joio, jamais colherá trigo.Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso. Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando “bis” e, como todos sabemos, um bis não se despreza. Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo! bravo! E vamos todos rindo e afinando o coro do “se eu livrar a minha cara o resto que se dane”. Enquanto isso o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz: “esse é o problema... eu sou o palhaço”.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Bush- Sixteen Stone


Esse cd tem para mim tem uma história legal. Eu conhecia a uns seis anos atrás poucas músicas do Bush. Tenho um amigo que gosta de música eletrônica, aí me perguntou se queria trocar o “Sixteen Stone” do Bush em troca de um cd de música eletrônica que eu tinha. Não pensei duas vezes. O meu cd de música era falsificado e o cd do Bush dele original. Grande negócio.
Um ano depois mais ou menos, na casa desse mesmo amigo tinha um churrasco, entre os convidados tinha um médico novo da cidade e outros amigos da academia.
Estavamos curtindo um som lá, aí o médico disse que estava com vontade de escutar Bush, e começou a cantar: “Love and hate get it wrong” e completei a frase: “she cut me right back down to size”.
Ele me olhou assustado, e perguntou se eu gostava de Bush, respondi que gostava e tinha o Sixteen Stone da banda. Ele ficou feliz, e perguntou se eu queria vender o cd a ele, disse que não me interessava em vendê-lo, aí me ofereceu R$30. Não pensei duas vezes, vendi na hora, esse dinheiro para um menino de 16 anos é muita grana.
Esse Cd é excelente, um pós-grunge perfeito, melodias tranqüilas, a voz rouca e inconstante do Gavin Rossdale.
Nesse disco temos os clássicos: Machine Head, Little Things, Glycerine, Come Down, Everything Zen etc… Temos também Body e Alien, ambas espetaculares, canções suaves, tranqüilas.
Apesar de a banda ter atingido o estatuto de super-estrelas nos Estados Unidos, o seu impacto nos tops musicais do Reino Unido pouco se fez sentir, com exceção do single “Swallowed”, que chegou a ser a sétima colocada nas rádios. A banda se separou de forma não-oficial em 2002.
Dois anos depois Gavin Rossdale, formou o Institute. O seu primeiro álbum, Distort Yourself, lançado a 13 de Setembro de 2005, alcançou sucesso moderado e o single “Bullet-proof skin” foi utilizado no filme “Stealth”.
Rossdale participou na banda sonora do filme “Triplo X”, em 2002, com a canção “Adrenaline”. A canção foi também utilizada como tema oficial do evento do WWE, Unforgiven, em Setembro de 2002.
Em 2005, Rossdale fez uma aparição no filme Constantine, fazendo o papel do vilão Balthazar. Também teve participação em Zoolander (2001), The Mayor of Sunset Strip (2003), Little Black Book (2004) e The Game of Their Lives (2005).
Rossdale tem casas em Primrose Hill (Londres) e na Califórnia, e costuma participar no circuito de tênis de grandes celebridades.
No dia 14 de Setembro de 2002, Rossadale casou com Gwen Stefani, vocalista da banda de punk ska, os No Doubt. A 26 de Maio de 2006, nasceu o seu primeiro filho, Kingston James McGregor Rossdale em Los Angeles.



Faixas do Disco:


1. Everything Zen
2. Swim
3. Bomb
4. Little Things
5. Comedown
6. Body
7. Machinehead
8. Testosterone
9. Monkey
10. Glycerine
11. Alien
12. X-Girlfriend


Discografia completa da Banda: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=76652


Diga não à Pirataria
Não roube navios!
Rafael Máximo
10-12-07