
Lembro-me da minha época de pré-vestibular, nossa quanto sofrimento. Eu fui um péssimo aluno no 2° grau, sai tão sem base da escola, que nem coragem de encarar uma faculdade particular eu poderia ter.
No cursinho eu estudei em excesso, vestibulares e mais vestibulares. Aí passei em Engenharia Ambiental em uma universidade federal, cursei um tempo, uma porcaria, não sei nada de cálculo, o negócio de mexer com plantinha não é uma coisa que me desperta interesse, sempre quis fazer Direito, mas a concorrência sempre me assustou.
Aí afoguei as mágoas na literatura, li tudo o que passou pela minha frente, lia sobre história, geografia e nada... Mesmo assim eu não passava em Direito.
Mudei-me mais uma vez de cidade, outro cursinho, não conhecia ninguém, solidão total, me sentia tão chato quanto o Nietzsche e o Schopenhauer. Eu tenho insônia, aí foram noites sem dormir, perdi peso, ansiedade, aflição, uma certa paixão platônica pela vizinha, mesmices que faziam parte do meu cotidiano...
Mas a minha dedicação foi muito grande, tinha remorso se deixasse de estudar, nos finais de semana a diversão era resolver as provas dos vestibulares de várias universidades conceituadas. Sorte que em decorrência do hábito da leitura, eu consegui melhorar bem a minha escrita, e isso me ajudou nas redações.
No cursinho eu estudei em excesso, vestibulares e mais vestibulares. Aí passei em Engenharia Ambiental em uma universidade federal, cursei um tempo, uma porcaria, não sei nada de cálculo, o negócio de mexer com plantinha não é uma coisa que me desperta interesse, sempre quis fazer Direito, mas a concorrência sempre me assustou.
Aí afoguei as mágoas na literatura, li tudo o que passou pela minha frente, lia sobre história, geografia e nada... Mesmo assim eu não passava em Direito.
Mudei-me mais uma vez de cidade, outro cursinho, não conhecia ninguém, solidão total, me sentia tão chato quanto o Nietzsche e o Schopenhauer. Eu tenho insônia, aí foram noites sem dormir, perdi peso, ansiedade, aflição, uma certa paixão platônica pela vizinha, mesmices que faziam parte do meu cotidiano...
Mas a minha dedicação foi muito grande, tinha remorso se deixasse de estudar, nos finais de semana a diversão era resolver as provas dos vestibulares de várias universidades conceituadas. Sorte que em decorrência do hábito da leitura, eu consegui melhorar bem a minha escrita, e isso me ajudou nas redações.
Fiz vestibular na unioeste, eu fui o 16° na lista dos aprovados. Foi muito difícil, acho que só eu sei dessa dificuldade, não consigo expressar ela. O resultado do vestibular era previsto para sair no dia 21/12, meu aniversário é no dia 16/12. No dia do meu aniversário eu acessei o orkut para ver os meus recados, aí uma menina escreveu: "Feliz aniversário... e parabéns também pela aprovação no vestibular". Quanta felicidade, confesso até uma lágrima furtiva no meu rosto, (ok... confesso, chorei mesmo!) depois tanto sofrimento para chegar lá, e cheguei. Se fosse fácil, que graça teria?
Hoje um bom tempo depois, vejo que eu era muito feliz nessa época. Talvez um total desperdício de tempo. Porém eu aprendi muito, foram dois anos de maior sofrimento, não se consegue sofrimento maior que esse. Hoje se eu estudasse em uma universidade particular que graça teria? Penso em todo o sofrimento que eu iria perder.
Olha a história do Marcel Proust: um escritor francês, perdedor total. Nunca teve um emprego de verdade, teve amores homossexuais não correspondidos. Passou vinte anos escrevendo um livro que quase ninguém leu. Possuía uma grande devoção à literatura: com saúde frágil, debilitado pela asma, ele se trancava no quarto, com paredes cobertas por cortiças para isolar os ruídos externos, atravessava as noites escrevendo. Mas ele deve ser o melhor escritor desde Shakespeare.
Enfim, ele chegou ao fim da vida olhou para o passado e se deu conta que todos aqueles anos que sofreu foram os melhores da vida, pois mostraram à ele quem ele era. Ou seja, aprendemos na dor, nós só amamos o que não possuímos completamente, assim como o Proust, aprendi nesses dois anos de sofrimento quem eu realmente era. Há um prazer perverso nas lembranças que tenho da época de cursinho, tantas coisas estranhas, não existe ansiedade maior do que esperar um resultado de vestibular, ainda mais quando nos preparamos muito para as provas.
Hoje um bom tempo depois, vejo que eu era muito feliz nessa época. Talvez um total desperdício de tempo. Porém eu aprendi muito, foram dois anos de maior sofrimento, não se consegue sofrimento maior que esse. Hoje se eu estudasse em uma universidade particular que graça teria? Penso em todo o sofrimento que eu iria perder.
Olha a história do Marcel Proust: um escritor francês, perdedor total. Nunca teve um emprego de verdade, teve amores homossexuais não correspondidos. Passou vinte anos escrevendo um livro que quase ninguém leu. Possuía uma grande devoção à literatura: com saúde frágil, debilitado pela asma, ele se trancava no quarto, com paredes cobertas por cortiças para isolar os ruídos externos, atravessava as noites escrevendo. Mas ele deve ser o melhor escritor desde Shakespeare.
Enfim, ele chegou ao fim da vida olhou para o passado e se deu conta que todos aqueles anos que sofreu foram os melhores da vida, pois mostraram à ele quem ele era. Ou seja, aprendemos na dor, nós só amamos o que não possuímos completamente, assim como o Proust, aprendi nesses dois anos de sofrimento quem eu realmente era. Há um prazer perverso nas lembranças que tenho da época de cursinho, tantas coisas estranhas, não existe ansiedade maior do que esperar um resultado de vestibular, ainda mais quando nos preparamos muito para as provas.
A vida é puro sofrimento, depois de toda a dificudade do vestibular, vem a faculdade, depois buscamos um "lugar ao sol" no mercado de trabalho. A vida como diria Schopenhauer é uma eterna dor, aprenderemos cada vez mais na dor, viver é sofrer. Todos os anos em que eu era feliz eu não aprendi nada, total desperdício
Eu sempre incentivo as pessoas que acabam de sair do 2° grau a fazer um cursinho e batalhar por uma vaga disputada nas universidades públicas. Quando vejo meus amigos em faculdades particulares, penso no sofrimento que eles perderam! Mas cada tem o livre-arbítrio de fazer o que bem entender!
Essa é a minha história...
