terça-feira, 20 de outubro de 2009

Amantes (Two Lovers, 2008)

Leonard (Joaquim Phoenix) é um rapaz bem humorado, mas com alguns problemas. Mora com os seus pais em um apartamento de classe médio no Brooklyn.

Seu pai está for fechar uma parceria nos seus negócios com uma outra família judia e num jantar ele conhece a filha deles, Sandra (Vinessa Shaw). As famílias ficam felizes com o flerte do Leonard e Sandra, mas Leonard conhece a belíssima Michelle (Gwynet Paltrow), vizinha que mora andares acima do seu prédio.

Quem nunca teve uma paixão pela vizinha?

No decorrer do filme, Leonard tem uma paixão adolescente pela Michelle, mas existe a Sandra na jogada, que aparentemente gosta dele.

Por essas poucas linhas, talvez podemos pensar em erro, por exemplo: "um filme comum, triângulo amoroso, tema comum". Mas é em erro mesmo, pois Amantes vai muito além, um drama romântico muito bem construído. Joaquim Phoenix é um excelente ator, bem humorado, bipolar neste filme, quando à Gwyneth Paltrow, acho que dispensa qualquer comentário.

O que faz Amantes um filme diferente é o brilhantismo do seu direito James Gray, por exemplo, Leonard e a Michelle vão a uma boate, logo instantaneamente ele conquista a amizade de todas as amigas dela. Ele sempre muito animado, dançam freneticamente, ele tentar dar uns beijos no pescoço dela, aquela malandragem clássica de boate, de repente ela tira o celular da bolsa e se afasta, logo após ele a encontra do lado de fora da boate. Ela diz que tem namorado que ele é casado, e que iria vir na boate também, porém não pode porque teve que ficar em casa com a esposa. É o momento que notamos a bipolaridade no filme, onde percebemos a desilusão, Leonard vai da alegria à desilusão em uma fração de segundos, saber que existe um concorrente na disputa pelo Ser Adorado acaba com qualquer um.

Em poucos segundos vai por água abaixo todo o humor contagiante do Leonard, ou seja, o filme segue a bipolaridade do Leonard. Podemos notar nitidamente uma alusão no filme ao gênio do suspense Hitchcook, a sua obra mais plagiada de todo cinema, "Janela Indiscreta".

Assim como o protagonista do clássico do Hitchcock, Leonard é fotógrafo nas horas vagas e tira algumas fotos pela janela da bela Michelle. A fotografia no filme é perfeita e harmônica, foca-se mais o quadro e a luz, do que o conteúdo da cena. É o primeiro filme do James Gray que assisti, confesso que gostei da sua obra, não segue o senso comum dos filmes com tramas românticas. O cineasta poderia até forçar nas cenas de sexo, mas não o faz, pois tendo a Gwyneth Paltrow no seu elenco.

Tem uma cena de sexo do Leonard e da Michelle que mesmo após o filme, naquele cine-pensamento que fica na nossa mente e nos faz ter pensamentos sacanas. Acontece no terraço do prédio onde moram, num frio de matar, aquele vento que nos obriga a buscar um corpo quente, um cenário lindo, tons cinza, filmado com tanta maestria que parece que estamos espiando como um anjinho pornográfico pelo buraco da fechadura.

Tudo muito real, a câmara para nos rostos, a belíssima interpretação dos atores, em nenhum momento pensamos que existe alguma encenação. Leonard dá tudo de si, o ato sexual com êxtase, dois amantes que se sentem vulneráveis, como se ela fosse tudo o que ele precisa, como numa canção do Ray Charles "You Are So Beautiful to me":

Você é tão bonita

Pra mim

Você é tão bonita

Pra mim, você não consegue ver?

Você é tudo pelo o que tinha esperado

Você é tudo que eu preciso

Você é tão bonita pra mim

Você é tão bonita pra mim

Você é tão bonita pra mim, você não consegue ver?

O filme não acaba por aí, eles combinam uma fuga para São Francisco, há o momento da despedida de Leonard com a sua mãe, planos frustrados e em seguida mudanças de planos. Identifiquei-me com o protagonista no final de filme, e faria a mesma coisa que ele fez, aliás, o que ele fez?

Assista!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Cashback

  • Recentemente tive a oportunidade de assistir o grande filme do diretor Sean Ellis, Cashback. Comédia romântica inteligente e emocionante, efeitos óticos excelentes, uma obra que chama a atenção.
    É necessária a força de 227 kg para esmagar um crânio, mas a emoção humana é muito mais delicada.
    Ela estava ali, parada, quando disse aquelas palavras: "Sinto muito, mas acho que não posso te fazer feliz, talvez devêssemos terminar.
    O filme narra a história de Ben Willis (Sean Biggerstaff), que após a separação com a sua namorada Suzy (Michelle Ryan), não conseguia mais dormir. Quanto mais ele tentava, menos cansado se sentia, aliás, estava bem acordado. Tentou de tudo. Havia se tornado imune ao sono, de repente percebe que tinha mais 8 horas. Sua vida havia se extendido em um terço.
    Queria que o tempo passasse rapidamente, mas ao invés disso era forçado a testemunhar o passar de cada segundo, de cada hora. Ben queria que a dor que sentia fosse embora, mas por uma trapaça do destino agora tinha mais tempo livre. Mais tempo para pensar em Suzy.
    Nesse curta-metragem temos uma bela percepção intelectual do que é o amor e o que ele consegue fazer com o ser humano. Bem Willis é pintor, universitário que está no último ano de artes, como diz o Luiz Melodia em uma canção: "Amar é parecido com sofrer". Sabe o que é ver alguém perdido, pegando um ônibus sem destino, observando a paisagem mudar vagarosamente enquanto ela aderia as últimas horas da luz do sol, antes de deixá-lo outra vez sem dormir.
    Estava óbvio que ele precisava gastar um pouco do seu tempo; começou a trabalhar no turno da noite em um supermercado, durante a hora em que a maioria das pessoas normais estão dormindo, ele está ocupado trocando o seu tempo.
    Existe uma arte para lidar com o tédio de um turno de 8 horas. Uma arte de colocar sua mente em algum outro lugar, enquanto os segundos passam lentamente. Todas as pessoas que trabalhavam no supermercado aperfeiçoaram a sua arte individual.
    A caixa do supermercado, Sharon (Emilia Fox), tinha um uma regra: o relógio é inimigo. Quanto mais você olha o relógio, mais devagar o tempo passa. Ela vai descobrir o esconderijo da sua mente e torturá-lo a cada segundo.




    Barry e Matt (Michael Dixon e Michael Lambourne), eles criaram uma maneira bem diferente de lidar com o tempo deles: A arte é achar qualquer coisa para fazer que não seja trabalho.
    Esta é a arte básica para lidar com a troca do seu tempo.
    Não posso opinar em nada nessa arte, sou apenas um universitário que nunca fez nada, além de estudar, mas creio que a arte de fazer algo diferente no trabalho que deveria fazer é viciante. A excitação de fazer algo errado que não deveria estar fazendo, junto com as consequências de ser pego são tão fortes que por muitas vezes afastam os outros de suas próprias artes.
    O jovem estudante de artes tinha uma arte particular para liquidar o tédio das 8 horas do seu turno, ele congelava o tempo. Dentro desse mundo congelado, ele era capaz de andar livremente e passar despercebido. Ninguém saberia que o tempo havia parado.
    Manipulação do tempo não é uma ciência exata. Como qualquer arte, é pessoal para cada pessoa. Ele imaginava o oposto, que o tempo parou. Como se apertasse o botão pause no controle remoto da vida.
    Imagine aquele momento, quando você vê alguém andando na rua que é tão bonita que você não pode evitar de olhar. E para um estudante de artes, que com o mundo em pausa se torna mais fácil entender o conceito de beleza. Tê-la congelada na sua frente. Capturada. Desavisada.
    A separação com Suzy deixou uma sensação de que o tempo ficou bagunçado. Ficou à deriva, entre imaginação e realidade, entre passado e presente com uma tranquilidade crescente, como se os pinos do tempo fosse vagarosamente se afastando do seu controle.
    Não cabe a esse cara chato que narra a história do filme contar como que o Ben Willis conseguiu deitar e dormir, assim eu não conseguiria instigar o nobre leitor a assistir o filme que eu tanto gostei.
    Quem nunca quis um dia parar o tempo, poder saborear aquele momento por umas duas semanas. Aquela namoradinha do primário, que nos olhos dela conseguíamos ver o mundo, não a víamos somente, conseguíamos senti-la.
    Ben Willis justificando a sua arte: "Um tempo atrás eu queria saber o que é o amor. O amor está lá se você o quiser, basta ver que está disfarçado na beleza e escondido entre os minutos da sua vida. Se não para um minuto, pode vir a perdê-lo".