
DELÍRIO
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci.
Moralistas, perdoai! Obedeci. Esse é um dos poemas mais sensuais da nossa literatura. Olavo Bilac na minha mísera opinião é o maior de todos os poetas do nosso país. A primeira vez que li essa poesia eu fiquei deslumbrado, ainda mais declamado com todo o bom humor do meu professor de literatura do cursinho em Maringá PR.
O Bilac tem umas curiosidades interessantes, por exemplo, nome Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, quando dividido em sílabas poéticas se torna um perfeito verso Alexandrino, este que é composto por doze sílabas. Em geral, o verso mais longo, em estrofes isométricas. Presente em poesias extremamente trabalhadas gramática e foneticamente, como as parnasianas.
E o mais interessante de tudo! O Bilac nasceu no dia 16/12 assim como eu!
Ele é Autor da letra do Hino à Bandeira, entre as obras podemos considerar um soneto que se refere à língua portuguesa onde esta era apelidada de Última Flor do Lácio - aliás, o nome do próprio poema. Ele iniciou o curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que não chegou a concluir. Tentou, então, a Faculdade de Direito de São Paulo que também não concluiu, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. É autor do Hino à Bandeira Nacional.
Não to aqui para falar da biografia nem dos poemas do Bilac, quero falar é sobre uma dupla sertaneja que fez o Bilac ficar doido no seu túmulo! Olha essa música
Aparpando
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei a sua testa
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo e uma festa
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu nariz
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o chafariz
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei a sua boca
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo eu fico louca
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu pescoço
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o colosso
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu peitinho
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o caminho
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu umbigo
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o perigo
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu pezinho
e ela disse é mais pra cima
mais é bem devagarzinho
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei sua canela
e ela disse é mais pra cima
mais pra cima vai da nela
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu joelho
e ela disse é mais pra cima
mais pra cima um palmo e meio
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei sua virilha
e ela disse é mais pro lado
mais pro lado é a maravilha
Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei logo de cara
e ela disse vagabundo
tira mão e larara...
O Parnasianismo a poesia vale por si mesma, não tem nenhum compromisso, e justifica por sua beleza, como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo.
Só queria imaginar o que o Bilac acharia desse lixo de canção! Com palavras chulas, um senso comum chatíssimo. Acho que a desgraça não tem fim! É mole? Como diz o outro, é mole, mas chacoalha para ver o que acontece!



