
Muito se fala na igualdade do amor, de um amor recíproco, ou seja, eu a amo tanto quanto ela me ama! Será que isso existe? O que o homem entende por amor difere da idéia da mulher. A mulher entende o amor como uma completa doação de corpo e alma sem restrição alguma, às vezes elas oferecem tanto e quase nada podemos dar em troca. A mulher entrega-se tanto que ela morre de medo que em uma relação que haja cláusulas e restrições. Um homem que ama como uma mulher se torna escravo; uma mulher, ao contrário, que ama como mulher se torna uma mulher mais realizada ...
A paixão da mulher é uma absoluta renúncia aos seus direitos próprios, ela busca uma paixão semelhante, uma renúncia recíproca, mas vejo que se ambos renunciassem a si próprios por amor, que tédio se tornaria a relação, nenhuma briguinha? Que graça iria ter! Eu sempre vejo que o amor segue na maioria das vezes aquela regrinha da genética que aprendemos no segundo grau, de gene dominante e recessivo. De um lado vai ter quem conduz a relação (dominante) e o conduzido (recessivo). O perfeito é quando há o equilíbrio nessa regrinha genética!
O homem que gosta de uma mulher exige dela um amor mais tranqüilo, totalmente distante das hipóteses do amor feminino. Se encontrássemos homens que experimentasse também esse desejo de entrega total não lhes fosse estranho, pois bem, esses não seriam – homens! Uma mulher que ama como mulher se torna uma mulher mais realizada, ao contrário, um homem que ama como mulher se torna um escravo.
Conhecem esses escravos? Já viu uns fracassados desse tipo? Após o fim do relacionamento o homem estufa o peito e finge que está bem, sai com todas que acha pela frente querendo passar uma imagem tranqüila, “nem gostava dela mesmo”, mas em casa à noite sozinho fica na cama chorando até dormir, pensando na música do Lobão: “Se ao menos na hora dela me deixar precisasse um pouco mais de mim... Se ao menos, no escuro eu conseguisse apagar, dormir sem pensar, apenas dormir sem sonhar”. Torna-se o mais idiota dos idiotas, um tremendo fracasso. O sonho de todo escravo é reencontrar a sua amada e num prazer exaustivo e todo perverso declamar toda a página 22 do livro “Eu sei que vou te amar” do Arnaldo Jabor que ele tanto leu.
“Estou cometendo um crime, estou impedindo que ela conheça a dura face da vida, eu não posso continuar bancando a mãe para ela”, pois eu tinha uma compulsão para te tratar bem, mas eu sabia que estava errado, aliás, eu quero te pedir perdão por isso, o único perdão que eu quero é que você me perdoe por ser bom! Me perdoa por ser bom!"
Eu tinha uma bondade fingida... desculpa por ser bom, eu te oprimia com a minha bondade... eu te paternizava... eu te usava... eu quero te pedir perdão por ter sido bom! (que beleza, isso seria discutir uma relação muito literariamente!). Ai o escravo fala para a dominante: “Mente pra mim, diz que me ama!”, ela: “eu te amo”, ele responde: “Você é uma mentirosa!” (zuei agora!).
Não sei nada sobre amor, amei tantas, espalhei tanto amor e acabei não amando nada! No filme “O Banquete do Amor” tem uma frase interessante referindo-se ao amor: “Há uma história sobre os Deuses gregos, que eram tão aborrecidos que acabaram inventando os seres humanos, mas eles ainda eram tão aborrecidos que inventaram o amor, então eles ainda estavam entediados. Então eles decidiram tentar amor por si. E finalmente, inventaram o riso, de modo que eles pudessem repousar.”
Os abismos das mulheres são venenosos, o seu mistério nos mata... Nós somos ciência, elas a arte! somos exatos e fálicos, elas se abrem como um leque, o seu mistério nos mata...

Um comentário:
Ahh, o Amor!!! algo sublime, porém incompreensivel!!! Quem o entende??? nesse sentido, é relevante a celebre passagem biblica de Jeremias (17:9):
"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?"
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