sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Comportamento


Nunca me interessei por reportagens sobre Comportamento, Saúde, Fofocas. Sempre que leio revistas e jornais procuro saber mais sobre literatura, lançamento de livros, filmes, tecnologia, política. Porém a capa da ISTOÉ me chamou a atenção "Como entender seus filhos", como a ordem de nascimento das crianças pode marcar a personalidade e até sugerir o destino de cada um.
Eu como o caçula da minha família, achei muito interessante a reportagem, vi a minha família naquelas páginas, o comportamento da Aline minha irmã do meio, do Rodrigo meu irmão mais velho
A chegada de novas pesquisas sobre a ordem de nascimento pode ajudar os pais a compreender seus filhos, por exemplo, esclarecer à família que a natureza do primogênito não o dispõe a ser tão brincalhão como o menor dos irmãos. Por que, então cobrar que ele seja mais atirado? É evidente que outros fatores, como o status social e o grau de escolarização da família, contribuem para a formação da personalidade das crianças
Um dos mais recentes é a análise de aproximadamente 250 mil recrutas das Forças Armadas da Noruega, avaliou exames de saúde e testes de QI aplicados a esses jovens e separou os resultados conforme a posição ocupada pela família. Ele descobriu que os primogênitos ou os que acabaram ocupando o posto de primeiro filho (em caso de morte precoce do irmão mais velho) apresentaram QI com 2,3 pontos a mais que os segundos filhos. Eles, por sua vez, têm 1,1 ponto a mais no QI do que os terceiros filhos. Os que nasceram primeiro seriam mais inteligentes? Não exatamente. A metodologia utilizada por Kristensen mostra que a premogenitora, em si, não é a razão do QI mais elevado. O que faz a diferença, no caso, é o desenvolvimento que o mais velho tem com os irmãos menores. É o convívio com os pequenos, que estão em fases anteriores de aprendizado, assim ele treina mais seus conhecimentos.
Uma recente pesquisa de mestrado comandada pela psicóloga Julia Badger mostra que os filhos menores estabelecem uma certa rivalidade com os mais velhos. “Eles querem provar que têm algo a mais, enquanto os primogênitos tem na cabeça que estão anos à frente de seus irmãos”, explica Julia.
Os pais colocam muita expectativa sobre o primeiro, que se apega às responsabilidades. O filho menor fica meio abandonado, já que todos estão cansados. O segundo filho vem com a porteira aberta. É mais livre, podemos denominá-lo como "filho sanduíche", pois ele fica apertado entre o primeiro e terceiro filho.
Segundo Sandra Black, professora de Economia da Universidade da Califórnia, os primogênitos têm probabilidade de ganhar mais dinheiro do que seus irmãos, enquanto os rendimentos dos filhos menores caem 1% a cada grau na “escadinha”. Uma das razões desse fenômeno seria o fato de o filho mais velho normalmente ter mais oportunidades de estudar em uma boa escola ou em situações mais favoráveis. Isso porque os pais não têm despesas com a educação de outras crianças, o que permite pagar um colégio melhor e dedicar mais atenção ao seu desenvolvimento. A chegado do segundo filho leva a uma partilha do orçamento, além da divisão dos cuidados. Com duas crianças ou mais, é natural que os pais enfrentem dificuldades maiores para ajudar os herdeiros nas lições.
Uma pesquisa da Nem York University feita com CEOs de grandes companhias, revela que executivos que são primogênitos procuram fazer aprimoramentos nas empresas, cobrando pontualidade e cumprimentos das metas, entre outros itens. Os que não são primogênitos gostam de fazer transformações e partem para inovações. Os caçulas, principalmente, são os visionários. Normalmente esbanjam criatividade.
O perfil de cada filho (as características abaixo são resultados de diversos estudos científicos):
Primogênito: Tem as melhores notas escolares. Está mais preocupado em corresponder às expectativas familiares. Geralmente assume a responsabilidade pelos pais na velhice. Pode ser o filho com maiores rendimentos. E também o mais realista.
O Rodrigo sempre foi bem na escola, dos três filhos foi o único que nunca reprovou no 2° grau (Já na faculdade não posso dizer o mesmo!). Sempre foi o mais independente dos filhos, logo cedo começou a trabalhar, em pouco tempo obteve a sua estabilidade financeira, é bem realista, um cara fálico nos seus softwares. Ele é anti-social, não me lembro de um almoço com o meu irmão na casa dos meus parentes, assim como nos vizinhos. Será o apego as responsabilidades que os pais cobram do primeiro filho? Sei lá!
Filho do Meio: Tende a querer se diferenciar do mais velho, escolhendo uma profissão oposta à do primogênito. É possível que tarde a escolher a carreira. Emotivo, pode desenvolver problemas de auto-estima por não ser nem o primogênito, nem o caçula.
A Aline é a típica filha do meio, problemas de auto-estima. Nunca soube o que fazer, na dúvida fez Ed. Física. Creio que os grandes opostos são entre o primogênito e o caçula, o filho do meio acaba passando meio despercebido. A minha irmã é o ser mais sossegado que existe, tem uma paciência de dar inveja a um baiano.
Caçula: Está meio disposto a correr riscos. Há uma maior probabilidade de ser artista, esportista, aventureiro ou empreendedor. Pode ser menor que os irmãos mais velhos. Costuma ser o mais engraçado da família.
Falar dos outros é fácil, quanto a mim concordo plenamente com os dados dos pesquisadores, sempre o caçula, tem um pendor à rebeldia por não querer seguir um possível roteiro desenhado pelos pais, roteiro este que o mais velho normalmente aceita. Todos brigam com o caçula, mas logo depois todo passam "a mão na cabeça" do mais novinho. Sempre fui o mais "acelerado" dos filhos, o que mais deu preocupação, mais trabalho... Creio que os primogênitos tendem a ser conservadores e os que vêm depois levam a vida menos a sério.



*Fontes das pesquisas referidas no texto: ISTOÉ/1986-21/11/2007 pag. 61-65

Rafael Máximo 28/11/07

A pobreza da riqueza


Vivemos diante de um mundo muito equivocado, no ápice do capitalismo está difícil definir o que é uma pessoa de valor. É comum ouvirmos que realização significa “vencer na vida”. E esse “vencer” é basicamente acumular bens materiais e ostentar poder. É “vencedor” o sujeito que possui carro do ano, veste-se com as melhores roupas, freqüenta locais badalados. Será que está é uma vida de valor? A partir dessa árdua ambição por posses, destrói-se qualquer ética de convivência solidária. O amor ao próximo e a fraternidade neste caso extingue-se completamente. Um primeiro exemplo para ressaltar os equívocos do nosso mundo globalizado é que empresários acham que existe o “paraíso dos vencedores”, mas ele não é destinado a todos, só apenas a uma minoria, o que revela o quão é perversa essa lógica. A obsessão pelo “vencer” é a mesma pelo poder, sendo uma das principais doenças das sociedades modernas. A partir dela, destrói-se a convivência em sociedade. A vontade individual de “vencer” predomina, não importando os meios para realizá-la. Símbolo da civilização moderna, o consumismo egocêntrico produz a barbárie, em que as relações se transformam em um ringue de boxe, no qual vence o mais forte ou mais esperto. Um método para melhorar as relações sociais dos indivíduos seria fazendo uma grande apologia à fraternidade, para que as pessoas deixem de ser egocêntricas, e comecem pensar um pouco mais no próximo. A fraternidade é considerada é considerada como a conduta que norteia a vida de um indivíduo. Ela é “teoricamente” o objetivo de todas as religiões, instituições sociais, partidos políticos, etc., estabelecendo o altruísmo contra o egoísmo, a benevolência contra a malevolência, a tolerância contra a intolerância, amor contra o ódio. Portanto, temos que mostrar para os capitalistas ferrenhos, que essa ambição pelo dinheiro ajuda só a aumentar a brecha que separa os ricos dos pobres. Uma pessoa de valor é aquela que deseja ver o próximo bem. Não devemos medir esforços para praticar o altruísmo. Para que tanto dinheiro e posses, se os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir os seus patrimônios futuramente. E vivem no susto permanente diante das incertezas de como seus filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocaram: em insegurança e ineficiência.



Rafael de Araújo Máximo


*Texto antigo, de 2006 quando fazia cursinho no Alfa em Umuarama PR. Eu tava lendo bastante coisas interessantes sobre Maçonaria. Esse texto tem todo um contexto dos lemas maçons.

domingo, 4 de novembro de 2007

Memória de Minhas Putas Tristes


É a primeira obra do Gabriel García Márquez que tive contato, o título do livro é interessante, a foto do ancião na capa do livro é magnífica, um romance que é um louvor à vida, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro.
Na primeira página você encontra:
“No ano dos meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar as seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios. Também a moral é uma questão de empo, dizia com sorriso maligno, você vai ver”
O narrador dessas memórias, que vai viver cerca de Cem Anos de Solidão embotado e emburrecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem base e horizontes como ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis.
O título da obra tem uma história interessante. Aos vinte anos o narrador começou a fazer um registro com o nome, a idade, o lugar, um breve recordatório das circustãncias e estilo, das mulheres que fez sexo. Até os 50 anos foram 514. Interrompeu a lista quando o corpo já não dava mais para tantos e podia continuar as contas sem precisar do papel. Uma frase interessante para ilustrar bem o título: “Algumas vezes pensei que aquelas contas seria uma boa base para uma lista de misérias da minha vida extraviada, e o título me caiu do ceu: Memória de Minhas Putas Trites”
Sempre que o questionavam sobre o motivo de não ter se casado, o ancião respondia: “As putas não me deram tempo para casar”
O Velhinho nunca se deitou com uma mulher sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenceu pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo
A leitura da obra é suave, tranqüila, onde tiramos a lição que a idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente.
O aforismo simpático do ancião para justificar a sua vida sexual “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.
O medo do amor é tão superlativo que o anti-herói dessas memórias vai preferir conviver com a mais terrível ameaça para o macho latino: o fantasma da impotência, e enquanto tivesse forças, resistiria ao poder do amor.
Parte desse medo se deve aos ridículos que o amor nos expõe, aqui levado à última potência, em cenas como a que o ancião anda numa bibicleta cantando “com ares do grande Caruso” ou aquela em que destrói um quarto de bordel. E por mais que lidemos com esse sentimento como se fosse um paletó dois números acima do nosso, apenas ele é tão somente ele, o amor nos faz humanos, como desde tempos imemoriais a arte vem tentando provar, seja nas canções mais sentimentais, que ressoam nas paixões evocadas pelos grandes mestres da ficção, ou em obras primas como esta.