
É a primeira obra do Gabriel García Márquez que tive contato, o título do livro é interessante, a foto do ancião na capa do livro é magnífica, um romance que é um louvor à vida, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro.
Na primeira página você encontra:
“No ano dos meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar as seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios. Também a moral é uma questão de empo, dizia com sorriso maligno, você vai ver”
O narrador dessas memórias, que vai viver cerca de Cem Anos de Solidão embotado e emburrecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem base e horizontes como ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis.
O título da obra tem uma história interessante. Aos vinte anos o narrador começou a fazer um registro com o nome, a idade, o lugar, um breve recordatório das circustãncias e estilo, das mulheres que fez sexo. Até os 50 anos foram 514. Interrompeu a lista quando o corpo já não dava mais para tantos e podia continuar as contas sem precisar do papel. Uma frase interessante para ilustrar bem o título: “Algumas vezes pensei que aquelas contas seria uma boa base para uma lista de misérias da minha vida extraviada, e o título me caiu do ceu: Memória de Minhas Putas Trites”
Sempre que o questionavam sobre o motivo de não ter se casado, o ancião respondia: “As putas não me deram tempo para casar”
O Velhinho nunca se deitou com uma mulher sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenceu pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo
A leitura da obra é suave, tranqüila, onde tiramos a lição que a idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente.
O aforismo simpático do ancião para justificar a sua vida sexual “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.
O medo do amor é tão superlativo que o anti-herói dessas memórias vai preferir conviver com a mais terrível ameaça para o macho latino: o fantasma da impotência, e enquanto tivesse forças, resistiria ao poder do amor.
Parte desse medo se deve aos ridículos que o amor nos expõe, aqui levado à última potência, em cenas como a que o ancião anda numa bibicleta cantando “com ares do grande Caruso” ou aquela em que destrói um quarto de bordel. E por mais que lidemos com esse sentimento como se fosse um paletó dois números acima do nosso, apenas ele é tão somente ele, o amor nos faz humanos, como desde tempos imemoriais a arte vem tentando provar, seja nas canções mais sentimentais, que ressoam nas paixões evocadas pelos grandes mestres da ficção, ou em obras primas como esta.
Na primeira página você encontra:
“No ano dos meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar as seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios. Também a moral é uma questão de empo, dizia com sorriso maligno, você vai ver”
O narrador dessas memórias, que vai viver cerca de Cem Anos de Solidão embotado e emburrecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem base e horizontes como ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis.
O título da obra tem uma história interessante. Aos vinte anos o narrador começou a fazer um registro com o nome, a idade, o lugar, um breve recordatório das circustãncias e estilo, das mulheres que fez sexo. Até os 50 anos foram 514. Interrompeu a lista quando o corpo já não dava mais para tantos e podia continuar as contas sem precisar do papel. Uma frase interessante para ilustrar bem o título: “Algumas vezes pensei que aquelas contas seria uma boa base para uma lista de misérias da minha vida extraviada, e o título me caiu do ceu: Memória de Minhas Putas Trites”
Sempre que o questionavam sobre o motivo de não ter se casado, o ancião respondia: “As putas não me deram tempo para casar”
O Velhinho nunca se deitou com uma mulher sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenceu pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo
A leitura da obra é suave, tranqüila, onde tiramos a lição que a idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente.
O aforismo simpático do ancião para justificar a sua vida sexual “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.
O medo do amor é tão superlativo que o anti-herói dessas memórias vai preferir conviver com a mais terrível ameaça para o macho latino: o fantasma da impotência, e enquanto tivesse forças, resistiria ao poder do amor.
Parte desse medo se deve aos ridículos que o amor nos expõe, aqui levado à última potência, em cenas como a que o ancião anda numa bibicleta cantando “com ares do grande Caruso” ou aquela em que destrói um quarto de bordel. E por mais que lidemos com esse sentimento como se fosse um paletó dois números acima do nosso, apenas ele é tão somente ele, o amor nos faz humanos, como desde tempos imemoriais a arte vem tentando provar, seja nas canções mais sentimentais, que ressoam nas paixões evocadas pelos grandes mestres da ficção, ou em obras primas como esta.

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