domingo, 7 de setembro de 2008

Hable con ella



Hable com ella (Fale com ela, em português) é um filme de 2002, escrito e dirigido pelo espanhol Pedro Almodóvar. Narra questões complexas, como estupro e coma.
Nesse grande filme do Almodóvar, vemos amores raros, feitos de entrega, feitos de compaixão. Temos que ver filmes assim, cheios de amor, sem efeitos, sem denúncias.
Benigno, um enfermeiro que mora em frente a uma academia de ballet, apaixona-se por uma aluna, Alicia. Esta vem a sofrer um acidente, e entra em coma e acaba por ficar ao cuidado de Benigno. Cruzam-se ainda em destaque as vidas de Lydia e Marco. Ela faz touradas e ele um jornalista argentino. Um filme cheio de nuance, reviravoltas e histórias que se cruzam. Essa é a temática dos filmes desse diretor
Hoje no mundo capitalista, na árdua disputa da publicidade, só há a "gasolina" que eu amo, a pasta de dente que me deixa mais bonito, a cerveja importada que me deixa mais sexy. Sempre buscamos comer todas as moças da playboy, tentando achar um orgasmo pleno e definitivo.
Há toda a magia nesse filme, porque o amor do enfermeiro pela sua paciente em coma é impossível. Ser impossível é a sua grande beleza. Não se diz mais: "Deus sabe quanto amei!", mas "Deus nem sabe quantas amei".
Na prisão Benigno confessa para o seu amigo Marco: "Meu problema não é a cadeia, é ficar sem a Alicia".
Antes de entrar em coma, a Alicia contou ao enfermeiro que gostava do cinema mudo. Ele assistia todos os espetáculos que tinha e contava para ela, mesmo ela em coma, ele afirmava: "A mente da mulher é um mistério, ainda mais nesse estado (coma), tem que prestar atenção nelas, falar com elas, pensar nos pequenos detalhes..." Daí que vem o título do filme.
O amor é feito de egoísmos, de narcisismos, mas ainda assim, ele busca uma grandeza. Mesmo no terrível crime de amor há um terrível sonho de plenitude. Amar exige coragem e hoje somos todos covardes.
Quantos amam para humilhar o próximo com o seu amor imenso? Quantos amam por egoísmo? O que faz do amor tão inquietante é o medo da rejeição.
Eu pelo menos aprendi no método empírico, eu sempre fui vítima das mulheres; eu sou hoje o que as mulheres fizeram comigo. Eu sou o que eu aprendi com elas. Na paixão ou no ódio, a cada mulher, eu descobri defeitos e qualidades que me formam, como acidentes que foram me desfigurando. Há aquelas que nos matam com o silêncio, as orgulhosas...
Todo mundo quer ser amado, até o canhalha precisa de afeto.

No final o Benigno suicida-se, pois achava que a Alicia tinha morrido, ela iria se encontrar com ela. A carta dele ao seu amigo Marco:

"Querido Marco
...Ainda está chovendo, acho que é um bom presságio, quando Alicia se acidentou estava chovendo. Escrevo minutos antes de fugir. Espero que tudo que tomei baste para me colocar em coma... e me juntar à ela. Você é o meu único amigo. Te deixo a casa que preparei para Alicia e para mim. Onde quer que me levem, venha e me ver... e fale comigo... Me conte tudo, não faça segredos.
Adeus amigo"



2 comentários:

Unknown disse...

...Boa!
Diferente resenha.

Gy Camargo disse...

Depois de 2002, assisti esse filme, novamente, nessa semana, e cheguei às mesmas conclusões que você.
Amor incondicional não é chegar a extremos, mas dedicar-se de todo o coração.
Parabéns!
Gy