
Não vi em minha vida falar de formosura,
Ouvia falar nela cada dia,
E ouvida me incitava, e me movia
A querer ver tão bela arquitetura.
Ontem a vi por desventura
Na cara, no bom ar, na galhardia,
De um sol, que se trajava em criatura.
Me matem (disse então vendo abrasar-me)
Se esta cousa não é, que encarecer-me.
Sabia o mundo, e tanto exagerar-me.
Olhos meus (disse então por defender-me)
Se a beleza hei de ver para matar-me,
Antes, olhos, cegueis, do que perder-me.
Gregório de Matos (1636 - 1695)
Este é o maior poeta barroco do Brasil e um dos maiores poetas de Portugal. Não quero me abster a falar da biografia do poeta, mas apenas comentar esse poema lírico do "boca de inferno".
Estou equivocado, esquece o que acabou de ler, não posso deixar de ressaltar um breve resumo de sua biografia: era um poeta satírico, o cronista dos costumes de toda a sociedade baiana. Ridiculariza impiedosamente autoridades civis e religiosas, e os seus poemas líricos são maravilhosos.
Em 2005 eu estudava em um Ateliê de artes em Maringá PR, muitas vezes nas aulas tínhamos que fazer análises de poemas, nunca me esqueço quando estudei esse poema com mais afinco, vou tentar dar a minha opinião mais descontraída sobre ele, três anos depois.
Alguma vez na sua vida nobre leitor já se deparou com a sua "alma gêmea"?
Todas as qualidades que você busca em alguém estão depositadas ali, na pessoa ao seu lado. Mas é um amor impossível, é platônico, só está no mundo das idéias.
O poeta diz que na vida ouviu falar da formosura, mas quando a encontra não pode tê-la, mas por conhecê-la e não poder ter para si, prefere a cegueira.
Quem nunca teve uma paixão assim?
Aquelas vezes que você conhece a pessoa ideal, porém sempre tem um, MAS, mas ela tem namorado (a), mas não rola aquela química, falta isso ou aquilo.
Há uma canção bonita da banda Radiohead que eu posso usar como analogia para contextualizar esse poema
CREEP
Ouvia falar nela cada dia,
E ouvida me incitava, e me movia
A querer ver tão bela arquitetura.
Ontem a vi por desventura
Na cara, no bom ar, na galhardia,
De um sol, que se trajava em criatura.
Me matem (disse então vendo abrasar-me)
Se esta cousa não é, que encarecer-me.
Sabia o mundo, e tanto exagerar-me.
Olhos meus (disse então por defender-me)
Se a beleza hei de ver para matar-me,
Antes, olhos, cegueis, do que perder-me.
Gregório de Matos (1636 - 1695)
Este é o maior poeta barroco do Brasil e um dos maiores poetas de Portugal. Não quero me abster a falar da biografia do poeta, mas apenas comentar esse poema lírico do "boca de inferno".
Estou equivocado, esquece o que acabou de ler, não posso deixar de ressaltar um breve resumo de sua biografia: era um poeta satírico, o cronista dos costumes de toda a sociedade baiana. Ridiculariza impiedosamente autoridades civis e religiosas, e os seus poemas líricos são maravilhosos.
Em 2005 eu estudava em um Ateliê de artes em Maringá PR, muitas vezes nas aulas tínhamos que fazer análises de poemas, nunca me esqueço quando estudei esse poema com mais afinco, vou tentar dar a minha opinião mais descontraída sobre ele, três anos depois.
Alguma vez na sua vida nobre leitor já se deparou com a sua "alma gêmea"?
Todas as qualidades que você busca em alguém estão depositadas ali, na pessoa ao seu lado. Mas é um amor impossível, é platônico, só está no mundo das idéias.
O poeta diz que na vida ouviu falar da formosura, mas quando a encontra não pode tê-la, mas por conhecê-la e não poder ter para si, prefere a cegueira.
Quem nunca teve uma paixão assim?
Aquelas vezes que você conhece a pessoa ideal, porém sempre tem um, MAS, mas ela tem namorado (a), mas não rola aquela química, falta isso ou aquilo.
Há uma canção bonita da banda Radiohead que eu posso usar como analogia para contextualizar esse poema
CREEP
Quando você estava aqui antes
Eu não podia nem te olhar nos olhos
Você é como um anjo
Sua pele me faz chorar
Você flutua como uma pena
Em um mundo bonito
Eu só queria ter sido especia
Você é especial pra caralho
Mas eu sou um verme, sou um esquisitão
Que diabos estou fazendo aqui?
Mas eu sou um verme, sou um esquisitão
Que diabos estou fazendo aqui?
Eu não pertenço a este lugar
Eu não ligo se isso machuca
Eu não ligo se isso machuca
Eu quero ter o controle
Eu quero um corpo perfeito
Eu quero uma alma perfeita
Eu quero que você perceba
Quando eu não estou por perto
Você é especial pra caralho
Eu só queria ter sido especial
Talvez o pior deve ser o cara ter a formosura expressada pelo poeta e perdê-la, creio que isso seja o pior de tudo. Todos os atributos almejados no Ser Adorado estão ali, junto contigo, e por um deslize qualquer o relacionamento acaba.
Fica estranho depois, pois o protótipo de beleza, amor, fica com a EX, aí na maioria dos relacionamentos futuros o cara fica comparando a atual com a EX.
Exemplo mais deleitável, havia como protótipo a EX, mas como no poema do Gregório, o cara encontra um Ser Adorado do mesmo nível, talvez até muito mais, mas ela é inacessível, e daí?
Por conhecer a formosura e não poder tê-la, eu prefiro a cegueira! Como o poeta!
Talvez o pior deve ser o cara ter a formosura expressada pelo poeta e perdê-la, creio que isso seja o pior de tudo. Todos os atributos almejados no Ser Adorado estão ali, junto contigo, e por um deslize qualquer o relacionamento acaba.
Fica estranho depois, pois o protótipo de beleza, amor, fica com a EX, aí na maioria dos relacionamentos futuros o cara fica comparando a atual com a EX.
Exemplo mais deleitável, havia como protótipo a EX, mas como no poema do Gregório, o cara encontra um Ser Adorado do mesmo nível, talvez até muito mais, mas ela é inacessível, e daí?
Por conhecer a formosura e não poder tê-la, eu prefiro a cegueira! Como o poeta!

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