terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A Lei de Zeca


Grande Nailor Marques Jr.

Um grande mestre, professor que me ensinou a importância da Literatura, a função da Arte.
Mostrou-me que o sucesso só é alcançado com muito estudo.





A lei de Zeca


Diz uma história, que numa cidade apareceu um circo, e que, entre seus artistas, havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural, que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar, para que assistissem ao tal artista, que possuía o dom de eliminar angústias.Um dia, porém, um morador desconhecido procurou o doutor, tomado de uma profunda depressão. O médico então, sem relutar, indicou-lhe o circo, como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou: “não posso procurar o circo... aí está o meu problema: eu sou o palhaço”.Como professor, vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalha para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento), porque depois de formados meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos juntos. Parece que quando meus meninos caem no mercado de trabalho, a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio.Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores. Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso. Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele. “O importante professor é que o cara embolsou milhões”, disse-me um; outro: “daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico”, todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça. O pior é quando a gente se dá conta que no Brasil é assim mesmo, sente-se maio sem saída, parece que só o que vale é a lei de Gérson: “o importante é levar vantagem em tudo”. A pergunta é: é possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém ganhar, é óbvio que alguém tem de perder.A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado; é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada; é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha; é cortar a fila do cinema ou da entrada do show; é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu; é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça; é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas; é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba; é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde; é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas; é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto; é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas; é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas (assim como costuma fazer a dupla sertaneja Lula e Duda). É a lógica da perpetuação da burrice. Quando um país perde, todo mundo perde. E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Parafraseando Schopenhauer: não há nada tão desgraçado na vida da gente, que ainda não possa ficar pior.Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. A luz é e sempre foi a metáfora da inteligência. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter. Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História, quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros. Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dirceus, Dudas e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes, de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro, para país do só furo. De um presidente da república espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência. De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) agindo como quem é honesto. A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos. Quem plantar joio, jamais colherá trigo.Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso. Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando “bis” e, como todos sabemos, um bis não se despreza. Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo! bravo! E vamos todos rindo e afinando o coro do “se eu livrar a minha cara o resto que se dane”. Enquanto isso o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz: “esse é o problema... eu sou o palhaço”.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Bush- Sixteen Stone


Esse cd tem para mim tem uma história legal. Eu conhecia a uns seis anos atrás poucas músicas do Bush. Tenho um amigo que gosta de música eletrônica, aí me perguntou se queria trocar o “Sixteen Stone” do Bush em troca de um cd de música eletrônica que eu tinha. Não pensei duas vezes. O meu cd de música era falsificado e o cd do Bush dele original. Grande negócio.
Um ano depois mais ou menos, na casa desse mesmo amigo tinha um churrasco, entre os convidados tinha um médico novo da cidade e outros amigos da academia.
Estavamos curtindo um som lá, aí o médico disse que estava com vontade de escutar Bush, e começou a cantar: “Love and hate get it wrong” e completei a frase: “she cut me right back down to size”.
Ele me olhou assustado, e perguntou se eu gostava de Bush, respondi que gostava e tinha o Sixteen Stone da banda. Ele ficou feliz, e perguntou se eu queria vender o cd a ele, disse que não me interessava em vendê-lo, aí me ofereceu R$30. Não pensei duas vezes, vendi na hora, esse dinheiro para um menino de 16 anos é muita grana.
Esse Cd é excelente, um pós-grunge perfeito, melodias tranqüilas, a voz rouca e inconstante do Gavin Rossdale.
Nesse disco temos os clássicos: Machine Head, Little Things, Glycerine, Come Down, Everything Zen etc… Temos também Body e Alien, ambas espetaculares, canções suaves, tranqüilas.
Apesar de a banda ter atingido o estatuto de super-estrelas nos Estados Unidos, o seu impacto nos tops musicais do Reino Unido pouco se fez sentir, com exceção do single “Swallowed”, que chegou a ser a sétima colocada nas rádios. A banda se separou de forma não-oficial em 2002.
Dois anos depois Gavin Rossdale, formou o Institute. O seu primeiro álbum, Distort Yourself, lançado a 13 de Setembro de 2005, alcançou sucesso moderado e o single “Bullet-proof skin” foi utilizado no filme “Stealth”.
Rossdale participou na banda sonora do filme “Triplo X”, em 2002, com a canção “Adrenaline”. A canção foi também utilizada como tema oficial do evento do WWE, Unforgiven, em Setembro de 2002.
Em 2005, Rossdale fez uma aparição no filme Constantine, fazendo o papel do vilão Balthazar. Também teve participação em Zoolander (2001), The Mayor of Sunset Strip (2003), Little Black Book (2004) e The Game of Their Lives (2005).
Rossdale tem casas em Primrose Hill (Londres) e na Califórnia, e costuma participar no circuito de tênis de grandes celebridades.
No dia 14 de Setembro de 2002, Rossadale casou com Gwen Stefani, vocalista da banda de punk ska, os No Doubt. A 26 de Maio de 2006, nasceu o seu primeiro filho, Kingston James McGregor Rossdale em Los Angeles.



Faixas do Disco:


1. Everything Zen
2. Swim
3. Bomb
4. Little Things
5. Comedown
6. Body
7. Machinehead
8. Testosterone
9. Monkey
10. Glycerine
11. Alien
12. X-Girlfriend


Discografia completa da Banda: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=76652


Diga não à Pirataria
Não roube navios!
Rafael Máximo
10-12-07

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Comportamento


Nunca me interessei por reportagens sobre Comportamento, Saúde, Fofocas. Sempre que leio revistas e jornais procuro saber mais sobre literatura, lançamento de livros, filmes, tecnologia, política. Porém a capa da ISTOÉ me chamou a atenção "Como entender seus filhos", como a ordem de nascimento das crianças pode marcar a personalidade e até sugerir o destino de cada um.
Eu como o caçula da minha família, achei muito interessante a reportagem, vi a minha família naquelas páginas, o comportamento da Aline minha irmã do meio, do Rodrigo meu irmão mais velho
A chegada de novas pesquisas sobre a ordem de nascimento pode ajudar os pais a compreender seus filhos, por exemplo, esclarecer à família que a natureza do primogênito não o dispõe a ser tão brincalhão como o menor dos irmãos. Por que, então cobrar que ele seja mais atirado? É evidente que outros fatores, como o status social e o grau de escolarização da família, contribuem para a formação da personalidade das crianças
Um dos mais recentes é a análise de aproximadamente 250 mil recrutas das Forças Armadas da Noruega, avaliou exames de saúde e testes de QI aplicados a esses jovens e separou os resultados conforme a posição ocupada pela família. Ele descobriu que os primogênitos ou os que acabaram ocupando o posto de primeiro filho (em caso de morte precoce do irmão mais velho) apresentaram QI com 2,3 pontos a mais que os segundos filhos. Eles, por sua vez, têm 1,1 ponto a mais no QI do que os terceiros filhos. Os que nasceram primeiro seriam mais inteligentes? Não exatamente. A metodologia utilizada por Kristensen mostra que a premogenitora, em si, não é a razão do QI mais elevado. O que faz a diferença, no caso, é o desenvolvimento que o mais velho tem com os irmãos menores. É o convívio com os pequenos, que estão em fases anteriores de aprendizado, assim ele treina mais seus conhecimentos.
Uma recente pesquisa de mestrado comandada pela psicóloga Julia Badger mostra que os filhos menores estabelecem uma certa rivalidade com os mais velhos. “Eles querem provar que têm algo a mais, enquanto os primogênitos tem na cabeça que estão anos à frente de seus irmãos”, explica Julia.
Os pais colocam muita expectativa sobre o primeiro, que se apega às responsabilidades. O filho menor fica meio abandonado, já que todos estão cansados. O segundo filho vem com a porteira aberta. É mais livre, podemos denominá-lo como "filho sanduíche", pois ele fica apertado entre o primeiro e terceiro filho.
Segundo Sandra Black, professora de Economia da Universidade da Califórnia, os primogênitos têm probabilidade de ganhar mais dinheiro do que seus irmãos, enquanto os rendimentos dos filhos menores caem 1% a cada grau na “escadinha”. Uma das razões desse fenômeno seria o fato de o filho mais velho normalmente ter mais oportunidades de estudar em uma boa escola ou em situações mais favoráveis. Isso porque os pais não têm despesas com a educação de outras crianças, o que permite pagar um colégio melhor e dedicar mais atenção ao seu desenvolvimento. A chegado do segundo filho leva a uma partilha do orçamento, além da divisão dos cuidados. Com duas crianças ou mais, é natural que os pais enfrentem dificuldades maiores para ajudar os herdeiros nas lições.
Uma pesquisa da Nem York University feita com CEOs de grandes companhias, revela que executivos que são primogênitos procuram fazer aprimoramentos nas empresas, cobrando pontualidade e cumprimentos das metas, entre outros itens. Os que não são primogênitos gostam de fazer transformações e partem para inovações. Os caçulas, principalmente, são os visionários. Normalmente esbanjam criatividade.
O perfil de cada filho (as características abaixo são resultados de diversos estudos científicos):
Primogênito: Tem as melhores notas escolares. Está mais preocupado em corresponder às expectativas familiares. Geralmente assume a responsabilidade pelos pais na velhice. Pode ser o filho com maiores rendimentos. E também o mais realista.
O Rodrigo sempre foi bem na escola, dos três filhos foi o único que nunca reprovou no 2° grau (Já na faculdade não posso dizer o mesmo!). Sempre foi o mais independente dos filhos, logo cedo começou a trabalhar, em pouco tempo obteve a sua estabilidade financeira, é bem realista, um cara fálico nos seus softwares. Ele é anti-social, não me lembro de um almoço com o meu irmão na casa dos meus parentes, assim como nos vizinhos. Será o apego as responsabilidades que os pais cobram do primeiro filho? Sei lá!
Filho do Meio: Tende a querer se diferenciar do mais velho, escolhendo uma profissão oposta à do primogênito. É possível que tarde a escolher a carreira. Emotivo, pode desenvolver problemas de auto-estima por não ser nem o primogênito, nem o caçula.
A Aline é a típica filha do meio, problemas de auto-estima. Nunca soube o que fazer, na dúvida fez Ed. Física. Creio que os grandes opostos são entre o primogênito e o caçula, o filho do meio acaba passando meio despercebido. A minha irmã é o ser mais sossegado que existe, tem uma paciência de dar inveja a um baiano.
Caçula: Está meio disposto a correr riscos. Há uma maior probabilidade de ser artista, esportista, aventureiro ou empreendedor. Pode ser menor que os irmãos mais velhos. Costuma ser o mais engraçado da família.
Falar dos outros é fácil, quanto a mim concordo plenamente com os dados dos pesquisadores, sempre o caçula, tem um pendor à rebeldia por não querer seguir um possível roteiro desenhado pelos pais, roteiro este que o mais velho normalmente aceita. Todos brigam com o caçula, mas logo depois todo passam "a mão na cabeça" do mais novinho. Sempre fui o mais "acelerado" dos filhos, o que mais deu preocupação, mais trabalho... Creio que os primogênitos tendem a ser conservadores e os que vêm depois levam a vida menos a sério.



*Fontes das pesquisas referidas no texto: ISTOÉ/1986-21/11/2007 pag. 61-65

Rafael Máximo 28/11/07

A pobreza da riqueza


Vivemos diante de um mundo muito equivocado, no ápice do capitalismo está difícil definir o que é uma pessoa de valor. É comum ouvirmos que realização significa “vencer na vida”. E esse “vencer” é basicamente acumular bens materiais e ostentar poder. É “vencedor” o sujeito que possui carro do ano, veste-se com as melhores roupas, freqüenta locais badalados. Será que está é uma vida de valor? A partir dessa árdua ambição por posses, destrói-se qualquer ética de convivência solidária. O amor ao próximo e a fraternidade neste caso extingue-se completamente. Um primeiro exemplo para ressaltar os equívocos do nosso mundo globalizado é que empresários acham que existe o “paraíso dos vencedores”, mas ele não é destinado a todos, só apenas a uma minoria, o que revela o quão é perversa essa lógica. A obsessão pelo “vencer” é a mesma pelo poder, sendo uma das principais doenças das sociedades modernas. A partir dela, destrói-se a convivência em sociedade. A vontade individual de “vencer” predomina, não importando os meios para realizá-la. Símbolo da civilização moderna, o consumismo egocêntrico produz a barbárie, em que as relações se transformam em um ringue de boxe, no qual vence o mais forte ou mais esperto. Um método para melhorar as relações sociais dos indivíduos seria fazendo uma grande apologia à fraternidade, para que as pessoas deixem de ser egocêntricas, e comecem pensar um pouco mais no próximo. A fraternidade é considerada é considerada como a conduta que norteia a vida de um indivíduo. Ela é “teoricamente” o objetivo de todas as religiões, instituições sociais, partidos políticos, etc., estabelecendo o altruísmo contra o egoísmo, a benevolência contra a malevolência, a tolerância contra a intolerância, amor contra o ódio. Portanto, temos que mostrar para os capitalistas ferrenhos, que essa ambição pelo dinheiro ajuda só a aumentar a brecha que separa os ricos dos pobres. Uma pessoa de valor é aquela que deseja ver o próximo bem. Não devemos medir esforços para praticar o altruísmo. Para que tanto dinheiro e posses, se os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir os seus patrimônios futuramente. E vivem no susto permanente diante das incertezas de como seus filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocaram: em insegurança e ineficiência.



Rafael de Araújo Máximo


*Texto antigo, de 2006 quando fazia cursinho no Alfa em Umuarama PR. Eu tava lendo bastante coisas interessantes sobre Maçonaria. Esse texto tem todo um contexto dos lemas maçons.

domingo, 4 de novembro de 2007

Memória de Minhas Putas Tristes


É a primeira obra do Gabriel García Márquez que tive contato, o título do livro é interessante, a foto do ancião na capa do livro é magnífica, um romance que é um louvor à vida, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro.
Na primeira página você encontra:
“No ano dos meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar as seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios. Também a moral é uma questão de empo, dizia com sorriso maligno, você vai ver”
O narrador dessas memórias, que vai viver cerca de Cem Anos de Solidão embotado e emburrecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem base e horizontes como ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis.
O título da obra tem uma história interessante. Aos vinte anos o narrador começou a fazer um registro com o nome, a idade, o lugar, um breve recordatório das circustãncias e estilo, das mulheres que fez sexo. Até os 50 anos foram 514. Interrompeu a lista quando o corpo já não dava mais para tantos e podia continuar as contas sem precisar do papel. Uma frase interessante para ilustrar bem o título: “Algumas vezes pensei que aquelas contas seria uma boa base para uma lista de misérias da minha vida extraviada, e o título me caiu do ceu: Memória de Minhas Putas Trites”
Sempre que o questionavam sobre o motivo de não ter se casado, o ancião respondia: “As putas não me deram tempo para casar”
O Velhinho nunca se deitou com uma mulher sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenceu pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo
A leitura da obra é suave, tranqüila, onde tiramos a lição que a idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente.
O aforismo simpático do ancião para justificar a sua vida sexual “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.
O medo do amor é tão superlativo que o anti-herói dessas memórias vai preferir conviver com a mais terrível ameaça para o macho latino: o fantasma da impotência, e enquanto tivesse forças, resistiria ao poder do amor.
Parte desse medo se deve aos ridículos que o amor nos expõe, aqui levado à última potência, em cenas como a que o ancião anda numa bibicleta cantando “com ares do grande Caruso” ou aquela em que destrói um quarto de bordel. E por mais que lidemos com esse sentimento como se fosse um paletó dois números acima do nosso, apenas ele é tão somente ele, o amor nos faz humanos, como desde tempos imemoriais a arte vem tentando provar, seja nas canções mais sentimentais, que ressoam nas paixões evocadas pelos grandes mestres da ficção, ou em obras primas como esta.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O viver não é viver se não pode sonhar




Vivemos em um país que é proibido ter sonhos, porque será que os brasileiros andam tão desiludidos da vida? Temos que sonhar, para que possamos ter uma vida com mais objetivos a realizar, pois como diz o poeta: “Se o mundo é o demônio, nós somos dele uma parte, e se a vida é só um sonho, que seja um sonho de arte”. As pessoas estão muito pessimistas com relação ao seu futuro, e isso traz conseqüências para o nosso dia-a-dia. Mas temos que batalhar para poder conquistar os nossos sonhos.
Os sonhos foram estudados com mais afinco após a publicação do livro “Decifrando os Sonhos”, do grande psicanalista Sigmund Freud, isto em 1900. Após essa data houve várias discussões no mundo da psicanálise, alguns aprimoraram a percepção intelectual freudiana, porém houve cientistas que criticaram-o severamente, refutando as suas idéias e mostrando argumentos contrários.
Um primeiro exemplo de pessimismo que assombra os jovens é o vestibular, muitos sonham em fazer medicina que é um curso extremamente concorrido, mas desistem após algumas tentativas mal sucedidas nos vestibulares e acabam optando por cursos com uma concorrência mais amena. Temos que ser perseverantes! Um grade sonhador americano, Theodore Roosevelt, dizia: “É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-se `a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que não gozam muito, nem sonham muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota”. Essa frase foi de grande influência para os americanos no início do século XX, pois mostrava para eles as ambições, os sonhos e a perseverança.
Um método para que possamos melhorar o nosso futuro é criando sonhos e traçando metas para a nossa vida, pois assim não ficamos tão pessimistas com o que está por vir, antes de nós nos colocamos a caminho do nosso futuro é preciso saber onde queremos chegar, para estabelecermos os caminhos que se devem trilhar para que possamos alcançar os nossos objetivos, esse é um meio para organizar o que queremos para o nosso futuro.
Por isso, temos que mostrar a todos que temos que sonhar e sermos bastante perseverantes para conquistarmos os nossos objetivos. Muitas pessoas são grandes sonhadoras, porém não passam de sonhadores apenas, sendo que é possível tornar esses sonhos uma realidade. Uma alma sem sonho, torna-se objeto do incerto, portanto, temos que ir atrás do que desejamos. Em uma entrevista com o diretor de cinema espanhol Luís Buñel disse esse belo aforismo: “Se me disserem: resta-lhe apenas um ano de vida, o que fazer de cada um dos dias que irá viver? Eu responderia: Dê-me duas horas de vida ativa e vinte e duas horas de sonho, contanto que eu possa lembrar-me deles, porque os sonhos só existem através da memória que os alimenta, e o viver não é viver se não pode sonhar”.


Rafael de Araújo Máximo
15-16-2006

domingo, 7 de outubro de 2007

Sobre o texto

Meu professor de redação do cursinho dizia que sempre é mais difícil escrever sobre temas que não gostamos, ou sobre algo que temos certo preconceito.
Eu pelo menos sempre fui meio "homofóbico", mas hoje até que respeito um pouco. Talvez no curso de Direito agora, de tanto ver temas relacionados ao homossexualismo eu acabei aceitando as diferenças de cada um.
Uma vez assisti uma defesa de monografia interessante: "Adoção por casais homoafetivos"
Certa vez eu falei para o meu pai: "Aquele cara é viado!". Ele me respondeu: "Rafael, cada um f*** do jeito que gosta!". Dei risadas!

Li uns livros legais que comentavam sobre a 'boiolagem':
* História da Sexualidade I II III- Michel Foucault
* Por quê os homens fazem sexo e por quê as mulheres fazem amor?
* Deus, um delírio- Richard Dawkins


PS. Sou cabra macho, cabra home!

Xô, preconceito...

No nosso país convivemos com grandes problemas, como: concentração de renda, falta de moradia, carga tributária elevada, racismo, preconceito sexual e vários outros problemas, comuns no nosso mundo globalizado, porém o mais equivocado deles é o preconceito sexual. Muitas pessoas questionam: “O que faz uma mulher ser mulher e um homem ser homem? Ser gay é mesmo uma escolha? Por que as lésbicas preferem mulheres? Como transexuais conseguem ter um pé em cada lado da cerca?” É errado achar que o homossexualismo é um mal do mundo moderno. Na Grécia antiga, a homossexualidade masculina não só era permitida como altamente respeitada. O cristianismo que veio a condenar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo com que o homossexualismo fosse banido.
O estudo da embriologia nos proporciona informações importantes para acabarmos com o preconceito sexual, por exemplo: de seis a oito semanas depois da concepção, o feto masculino (XY) recebe uma dose maciça de hormônios chamados de Androgênio que, primeiramente, formam os testículos e, num segundo momento, alteram o cérebro de um formato feminino para uma configuração masculina. Quando esse feto não recebe na época certa a quantidade suficiente de hormônios, duas coisas podem acontecer. Primeiro, nascer um menino com o cérebro estruturalmente mais feminino que masculino e que provavelmente vai se descobrir gay na adolescência. Segundo, um bebê geneticamente do sexo masculino, com os genitais correspondentes e o funcionamento do cérebro inteiramente feminino, ou seja, um transexual que biologicamente tem um sexo, mas sabe que pertence a outro.
É muito preconceituosa a visão que a sociedade faz dos homossexuais, e mesmo às portas do século XXI, as gerações mais antigas ainda acreditam que o homossexualismo seja um fenômeno “antinatural”. Ele, na verdade, sempre esteve presente desde que o feto deixou de receber a dose necessária de hormônios, ou seja, indubitavelmente é um fator genético, não depende da escolha. A maioria das pessoas tolera quem possui características inatas do que quem, em sua opinião, fez uma escolha que lhes parecem inaceitável.
Infelizmente, estatísticas demonstram que, entre os adolescentes suicidas, 30% são gays e lésbicas. Um em cada três transexuais comete suicídio. Um estudo da educação desses jovens concluiu que foram criados em famílias ou comunidades altamente preconceituosas, que pregavam o ódio e a rejeição aos homossexuais, ou em religiões que tentavam “salvá-los” com orações ou terapias.
No Afeganistão, sob o Talibã, a punição oficial para a homossexualidade era enterrar a vítima viva, soterrada sob um muro. Como o “crime” em si é um ato individual, cometido por adultos, por uma ação involuntária, marca-se o absolutismo religioso, mais uma vez, a marca registrada e inconfundível do moralizador da fé é preocupar-se fanaticamente com o que as outras pessoas fazem (ou até pensam) na esfera privada. O poeta espanhol Federico Garcia Lorca, que teve a sua prisão decretada por um deputado católico, sob o argumento (que se tornou célebre) de que ele seria “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver”. Isso por causa das tendências homossexuais do poeta, sendo hoje considerado o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes.
Cientistas comprovaram que os esforços dos pais para sufocar as tendências homossexuais dos filhos não adiantam em nada. E como responsável é o impacto (ou falta) do hormônio masculino sobre o cérebro, os homossexuais, em sua maioria, são homens. Para cada lésbica (corpo de mulher, cérebro masculino) existem de oito a dez homens gays.
Portanto, pode-se afirmar com nitidez que a homossexualidade é genética, não depende da escolha. O ambiente e a educação têm pouca influência na sexualidade de um ser humano. A biologia foi, claramente, fator-chave na criação do padrão de comportamento. Diante dos fatos apresentados, podemos ver o outro lado da homossexualidade, onde não se trata de nenhuma doença, perversidade ou qualquer termo pejorativo, mas sim um fator biológico que é inalterável. Qualquer forma de preconceito só pode vir de pessoas de senso comum, porque se as mesmas utilizassem a razão, não acharíamos motivo algum para o preconceito.




Rafael Máximo
7/6/2006

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Como surgiu esse texto

A história desse texto é engraçada.
Eu ando muito de ônibus, sempre to indo visitar os meus pais no MS, tenho que fazer aquelas trocas de ônibus que são chatas e demoradas.
Sempre aproveito para colocar as leituras em dia, ou escrever algo.
Escrevi “O Robô” quando eu estava voltando do MS para o PR no dias dos pais (2006). A idéia do texto é bem plagiada do Luis Fernando Veríssimo, esse texto ta na obra “A mãe do Freud”. O texto dele é bem enxuto, eu modifiquei-o com o dia-a-dia que eu estava vivendo na época, fiz ele para uma colega de faculdade, grande parceira até hoje. Ela não sabe jogar truco, meio fresquinha, mas muito gente boa.
É interessante a gente conseguir colocar as idéias no papel, coisas do passado, presente, misturando-se com o futuro, a literatura nos proporciona isso. Parafraseando com um aforismo do Franz Kafka: “Tudo que não é literatura me aborece”.

O Robô


Certo dia, Rodrigo chegou em casa com um robô. O robô era baixinho, redondo e andava sobre rodinhas. Rodrigo era casado com Débora, eles se conheceram na faculdade de Direito. Ele é professor universitário e ela advogada.
- Olhe só – disse o marido. E, dirigindo-se ao robô, disse: - Sete!
O Robô foi até o quarto do casal e de lá trouxe o tênis do Rodrigo, sua luva de musculação e uma camiseta regata. Voltou para o quarto levando o paletó, a gravata e os sapatos.
- Mas isso é fantástico – disse a mulher, sem muita animação.
- Ele está programado para só obedecer a minha voz – explicou Rodrigo.
Rodrigo estava tão entusiasmado com o seu robô que a Débora decidiu não lembrar a ele que naquele dia eles faziam 10 anos de casado. Ele continuou:
- É um código. De acordo com o número que eu digo, ele sabe exatamente o que fazer.
- Os números vão de 1 a 100 e obedecem a uma seqüência que corresponde, mais ou menos, à importância relativa das tarefas. Entendeu?
- Se ela não tivesse dito nada, seria a mesma coisa, porque Rodrigo não a escutava. Olhava o robô como um dia, anos antes quando a pediu em casamento. Os mesmos olhos que a observava no primeiro dia de aula do curso de Direito, o modo como ela ficava segurando os queixo, cada detalhe da bela morena.
Pelo menos ela ficou sabendo que, numa escala de 1 a 100, buscar o tênis, camiseta regata e aquela luvinha vermelha fedida de ir à academia correspondia a Sete.
Logo após retornar da academia, Rodrigo sentou no sofá, todo folgado, olhou para o robô e disse:
- Cinco!
O robô foi até o quarto e voltou com o livro que estava no criado mudo!
Depois do jantar, quando ela começou a limpar a mesa, ele a deteve com um olhar cínico. Disse ao robô:
- Noventa e um!
O robô rapidamente tirou os pratos da mesa, botou tudo dentro da máquina de lavar pratos, ligou a máquina e voltou para aguardar novas instruções.
Mais tarde, quando o marido disse: “Que tal um joguinho de cartas?”, ela levantou-se, alegremente, para pegar o baralho. Logo descobriu que o marido falava com o robô.
- Seis
O robô correu na frente dela, pegou o baralho, pegou o bloco de papel e um lápis, arrumou a mesa para o jogo e ficou esperando. Ele sentou-se para jogar cartas com o robô. Ela perguntou:
- Posso jogar também?
- Lembra-se querida que você nunca aprendeu a jogar truco quando estudávamos juntos? – disse o marido.
- Você pode ir dormir, se quiser.
- Você não vai mais precisar de nada?
- Não, tudo o que eu preciso o robô me arruma, presta atenção: - Três!
O robô fio a geladeira e voltou com uma porção de azeitonas e palmito para o Rodrigo
Débora ficou irritada e acabou indo dormir, mas do quarto ela só escutava o marido dando risadas e dizendo: - Dois, dois, dois, dois, dois, dois...
Tomou uma decisão
Levantou-se e foi até a sala. De camisola (uma camisola de seda, toda decotada, ela ganhou do Rodrigo no dia do seu aniversário, vinte dias atrás).
- Querido...
- Você não estava dormindo?
- Não
- Nós fizemos muito barulho?
- Não
- Então o que é?
- Tem uma coisa que eu faço que esse robô não faz.
- O quê?
- Uma coisa que você gosta muito.
- Você quer dizer...
- Sim – Sorriu ela maliciosamente
- É o que você pensa – disse ele. E, para o robô: Um!!!
Aí o Robô correu até a geladeira, pegou uma pizza semi pronta de quatro queijos e colocou-a no forno. Logo após Rodrigo olhou para o robô e disse: Dois!
O robô trouxe uma long neek de cerveja.
Grupos de feministas apoiaram Débora durante o processo de separação. COM TODA RAZÃO...


Rafael Máximo
2006