terça-feira, 20 de outubro de 2009

Amantes (Two Lovers, 2008)

Leonard (Joaquim Phoenix) é um rapaz bem humorado, mas com alguns problemas. Mora com os seus pais em um apartamento de classe médio no Brooklyn.

Seu pai está for fechar uma parceria nos seus negócios com uma outra família judia e num jantar ele conhece a filha deles, Sandra (Vinessa Shaw). As famílias ficam felizes com o flerte do Leonard e Sandra, mas Leonard conhece a belíssima Michelle (Gwynet Paltrow), vizinha que mora andares acima do seu prédio.

Quem nunca teve uma paixão pela vizinha?

No decorrer do filme, Leonard tem uma paixão adolescente pela Michelle, mas existe a Sandra na jogada, que aparentemente gosta dele.

Por essas poucas linhas, talvez podemos pensar em erro, por exemplo: "um filme comum, triângulo amoroso, tema comum". Mas é em erro mesmo, pois Amantes vai muito além, um drama romântico muito bem construído. Joaquim Phoenix é um excelente ator, bem humorado, bipolar neste filme, quando à Gwyneth Paltrow, acho que dispensa qualquer comentário.

O que faz Amantes um filme diferente é o brilhantismo do seu direito James Gray, por exemplo, Leonard e a Michelle vão a uma boate, logo instantaneamente ele conquista a amizade de todas as amigas dela. Ele sempre muito animado, dançam freneticamente, ele tentar dar uns beijos no pescoço dela, aquela malandragem clássica de boate, de repente ela tira o celular da bolsa e se afasta, logo após ele a encontra do lado de fora da boate. Ela diz que tem namorado que ele é casado, e que iria vir na boate também, porém não pode porque teve que ficar em casa com a esposa. É o momento que notamos a bipolaridade no filme, onde percebemos a desilusão, Leonard vai da alegria à desilusão em uma fração de segundos, saber que existe um concorrente na disputa pelo Ser Adorado acaba com qualquer um.

Em poucos segundos vai por água abaixo todo o humor contagiante do Leonard, ou seja, o filme segue a bipolaridade do Leonard. Podemos notar nitidamente uma alusão no filme ao gênio do suspense Hitchcook, a sua obra mais plagiada de todo cinema, "Janela Indiscreta".

Assim como o protagonista do clássico do Hitchcock, Leonard é fotógrafo nas horas vagas e tira algumas fotos pela janela da bela Michelle. A fotografia no filme é perfeita e harmônica, foca-se mais o quadro e a luz, do que o conteúdo da cena. É o primeiro filme do James Gray que assisti, confesso que gostei da sua obra, não segue o senso comum dos filmes com tramas românticas. O cineasta poderia até forçar nas cenas de sexo, mas não o faz, pois tendo a Gwyneth Paltrow no seu elenco.

Tem uma cena de sexo do Leonard e da Michelle que mesmo após o filme, naquele cine-pensamento que fica na nossa mente e nos faz ter pensamentos sacanas. Acontece no terraço do prédio onde moram, num frio de matar, aquele vento que nos obriga a buscar um corpo quente, um cenário lindo, tons cinza, filmado com tanta maestria que parece que estamos espiando como um anjinho pornográfico pelo buraco da fechadura.

Tudo muito real, a câmara para nos rostos, a belíssima interpretação dos atores, em nenhum momento pensamos que existe alguma encenação. Leonard dá tudo de si, o ato sexual com êxtase, dois amantes que se sentem vulneráveis, como se ela fosse tudo o que ele precisa, como numa canção do Ray Charles "You Are So Beautiful to me":

Você é tão bonita

Pra mim

Você é tão bonita

Pra mim, você não consegue ver?

Você é tudo pelo o que tinha esperado

Você é tudo que eu preciso

Você é tão bonita pra mim

Você é tão bonita pra mim

Você é tão bonita pra mim, você não consegue ver?

O filme não acaba por aí, eles combinam uma fuga para São Francisco, há o momento da despedida de Leonard com a sua mãe, planos frustrados e em seguida mudanças de planos. Identifiquei-me com o protagonista no final de filme, e faria a mesma coisa que ele fez, aliás, o que ele fez?

Assista!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Cashback

  • Recentemente tive a oportunidade de assistir o grande filme do diretor Sean Ellis, Cashback. Comédia romântica inteligente e emocionante, efeitos óticos excelentes, uma obra que chama a atenção.
    É necessária a força de 227 kg para esmagar um crânio, mas a emoção humana é muito mais delicada.
    Ela estava ali, parada, quando disse aquelas palavras: "Sinto muito, mas acho que não posso te fazer feliz, talvez devêssemos terminar.
    O filme narra a história de Ben Willis (Sean Biggerstaff), que após a separação com a sua namorada Suzy (Michelle Ryan), não conseguia mais dormir. Quanto mais ele tentava, menos cansado se sentia, aliás, estava bem acordado. Tentou de tudo. Havia se tornado imune ao sono, de repente percebe que tinha mais 8 horas. Sua vida havia se extendido em um terço.
    Queria que o tempo passasse rapidamente, mas ao invés disso era forçado a testemunhar o passar de cada segundo, de cada hora. Ben queria que a dor que sentia fosse embora, mas por uma trapaça do destino agora tinha mais tempo livre. Mais tempo para pensar em Suzy.
    Nesse curta-metragem temos uma bela percepção intelectual do que é o amor e o que ele consegue fazer com o ser humano. Bem Willis é pintor, universitário que está no último ano de artes, como diz o Luiz Melodia em uma canção: "Amar é parecido com sofrer". Sabe o que é ver alguém perdido, pegando um ônibus sem destino, observando a paisagem mudar vagarosamente enquanto ela aderia as últimas horas da luz do sol, antes de deixá-lo outra vez sem dormir.
    Estava óbvio que ele precisava gastar um pouco do seu tempo; começou a trabalhar no turno da noite em um supermercado, durante a hora em que a maioria das pessoas normais estão dormindo, ele está ocupado trocando o seu tempo.
    Existe uma arte para lidar com o tédio de um turno de 8 horas. Uma arte de colocar sua mente em algum outro lugar, enquanto os segundos passam lentamente. Todas as pessoas que trabalhavam no supermercado aperfeiçoaram a sua arte individual.
    A caixa do supermercado, Sharon (Emilia Fox), tinha um uma regra: o relógio é inimigo. Quanto mais você olha o relógio, mais devagar o tempo passa. Ela vai descobrir o esconderijo da sua mente e torturá-lo a cada segundo.




    Barry e Matt (Michael Dixon e Michael Lambourne), eles criaram uma maneira bem diferente de lidar com o tempo deles: A arte é achar qualquer coisa para fazer que não seja trabalho.
    Esta é a arte básica para lidar com a troca do seu tempo.
    Não posso opinar em nada nessa arte, sou apenas um universitário que nunca fez nada, além de estudar, mas creio que a arte de fazer algo diferente no trabalho que deveria fazer é viciante. A excitação de fazer algo errado que não deveria estar fazendo, junto com as consequências de ser pego são tão fortes que por muitas vezes afastam os outros de suas próprias artes.
    O jovem estudante de artes tinha uma arte particular para liquidar o tédio das 8 horas do seu turno, ele congelava o tempo. Dentro desse mundo congelado, ele era capaz de andar livremente e passar despercebido. Ninguém saberia que o tempo havia parado.
    Manipulação do tempo não é uma ciência exata. Como qualquer arte, é pessoal para cada pessoa. Ele imaginava o oposto, que o tempo parou. Como se apertasse o botão pause no controle remoto da vida.
    Imagine aquele momento, quando você vê alguém andando na rua que é tão bonita que você não pode evitar de olhar. E para um estudante de artes, que com o mundo em pausa se torna mais fácil entender o conceito de beleza. Tê-la congelada na sua frente. Capturada. Desavisada.
    A separação com Suzy deixou uma sensação de que o tempo ficou bagunçado. Ficou à deriva, entre imaginação e realidade, entre passado e presente com uma tranquilidade crescente, como se os pinos do tempo fosse vagarosamente se afastando do seu controle.
    Não cabe a esse cara chato que narra a história do filme contar como que o Ben Willis conseguiu deitar e dormir, assim eu não conseguiria instigar o nobre leitor a assistir o filme que eu tanto gostei.
    Quem nunca quis um dia parar o tempo, poder saborear aquele momento por umas duas semanas. Aquela namoradinha do primário, que nos olhos dela conseguíamos ver o mundo, não a víamos somente, conseguíamos senti-la.
    Ben Willis justificando a sua arte: "Um tempo atrás eu queria saber o que é o amor. O amor está lá se você o quiser, basta ver que está disfarçado na beleza e escondido entre os minutos da sua vida. Se não para um minuto, pode vir a perdê-lo".







sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Grandes Esperanças




Talvez esse seja um dos filmes mais interessantes que assisti até hoje. Pois ao mesmo tempo em que ele é um romance, ele é um drama, e no final descobrimos o sentido da cena inicial, mostrando ao telespectador uma pitada de suspense.
Finn é um garoto órfão, criado pela irmã e o seu namorado pescador, apaixona-se por Estella, sobrinha de uma idosa rica e excêntrica, que foi deixada pelo noivo no altar, e esta fica com repúdio os homens, e educa a sobrinha para se vingar dos homens.
Estella é a coisa mais esnobe que existe, a infância inteira ela trata com desdém o garoto, apenas na adolescência que ela dá apenas uns beijinhos, depois fala para ele em francês: "Je vais aller en France demain" (eu vou à França amanhã). Ele a procura desesperadamente e depois descobre que ela foi estudar na Europa e demorará um bom tempo para voltar.
Os outros detalhes do filme são interessantes, mas não é sobre isso que quero falar. Sei lá, assista o filme!
Quem nunca foi assim uma vez? Ele a amava acima de tudo, mas ela sempre foi esnobe, calculista, mas isso não importava, tudo o queria era ser rico para se igualar a ela e tê-la, o seu sonho de consumo.
Acho que todos nós já agimos uma vez como Finn e outra vez como Estella. Eu já levei foras como o Finn, mas também já fui como a Estella. Certa vez nós sem percebermos somos o “sonho de consumo” de alguém, mas a recíproca não é verdadeira, e daí, o que fazer? Não há aquela química, pode haver a beleza, a atração física, mas não dá, o amor tem razões que o próprio amor desconhece. E na maioria das vezes nós já fomos assim, gostamos de alguém e não houve reciprocidade, será não tem aquele sentimento de vingança em nós? Fazer para o próximo o que aconteceu conosco?
Talvez o único amor que é verdadeiro é o impossível, o amor dos poetas. É até estranho, pois às vezes somos até acostumado com aquela intensa caça, aí aparece um negócio fácil, acho que perde a graça!
Aí largamos o “negócio fácil”, aí até que bate saudades, parafraseando com o Marcel Proust: “Só se ama o que não se possui”.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Gregório de Matos


Não vi em minha vida falar de formosura,
Ouvia falar nela cada dia,
E ouvida me incitava, e me movia
A querer ver tão bela arquitetura.


Ontem a vi por desventura
Na cara, no bom ar, na galhardia,
De um sol, que se trajava em criatura.


Me matem (disse então vendo abrasar-me)
Se esta cousa não é, que encarecer-me.
Sabia o mundo, e tanto exagerar-me.


Olhos meus (disse então por defender-me)
Se a beleza hei de ver para matar-me,
Antes, olhos, cegueis, do que perder-me.


Gregório de Matos (1636 - 1695)


Este é o maior poeta barroco do Brasil e um dos maiores poetas de Portugal. Não quero me abster a falar da biografia do poeta, mas apenas comentar esse poema lírico do "boca de inferno".
Estou equivocado, esquece o que acabou de ler, não posso deixar de ressaltar um breve resumo de sua biografia: era um poeta satírico, o cronista dos costumes de toda a sociedade baiana. Ridiculariza impiedosamente autoridades civis e religiosas, e os seus poemas líricos são maravilhosos.

Em 2005 eu estudava em um Ateliê de artes em Maringá PR, muitas vezes nas aulas tínhamos que fazer análises de poemas, nunca me esqueço quando estudei esse poema com mais afinco, vou tentar dar a minha opinião mais descontraída sobre ele, três anos depois.
Alguma vez na sua vida nobre leitor já se deparou com a sua "alma gêmea"?
Todas as qualidades que você busca em alguém estão depositadas ali, na pessoa ao seu lado. Mas é um amor impossível, é platônico, só está no mundo das idéias.
O poeta diz que na vida ouviu falar da formosura, mas quando a encontra não pode tê-la, mas por conhecê-la e não poder ter para si, prefere a cegueira.
Quem nunca teve uma paixão assim?
Aquelas vezes que você conhece a pessoa ideal, porém sempre tem um, MAS, mas ela tem namorado (a), mas não rola aquela química, falta isso ou aquilo.

Há uma canção bonita da banda Radiohead que eu posso usar como analogia para contextualizar esse poema


CREEP
Quando você estava aqui antes
Eu não podia nem te olhar nos olhos
Você é como um anjo
Sua pele me faz chorar
Você flutua como uma pena
Em um mundo bonito

Eu só queria ter sido especia
Você é especial pra caralho
Mas eu sou um verme, sou um esquisitão
Que diabos estou fazendo aqui?
Eu não pertenço a este lugar

Eu não ligo se isso machuca
Eu quero ter o controle
Eu quero um corpo perfeito
Eu quero uma alma perfeita
Eu quero que você perceba
Quando eu não estou por perto
Você é especial pra caralho
Eu só queria ter sido especial

Talvez o pior deve ser o cara ter a formosura expressada pelo poeta e perdê-la, creio que isso seja o pior de tudo. Todos os atributos almejados no Ser Adorado estão ali, junto contigo, e por um deslize qualquer o relacionamento acaba.
Fica estranho depois, pois o protótipo de beleza, amor, fica com a EX, aí na maioria dos relacionamentos futuros o cara fica comparando a atual com a EX.
Exemplo mais deleitável, havia como protótipo a EX, mas como no poema do Gregório, o cara encontra um Ser Adorado do mesmo nível, talvez até muito mais, mas ela é inacessível, e daí?
Por conhecer a formosura e não poder tê-la, eu prefiro a cegueira! Como o poeta!

domingo, 7 de setembro de 2008

Hable con ella



Hable com ella (Fale com ela, em português) é um filme de 2002, escrito e dirigido pelo espanhol Pedro Almodóvar. Narra questões complexas, como estupro e coma.
Nesse grande filme do Almodóvar, vemos amores raros, feitos de entrega, feitos de compaixão. Temos que ver filmes assim, cheios de amor, sem efeitos, sem denúncias.
Benigno, um enfermeiro que mora em frente a uma academia de ballet, apaixona-se por uma aluna, Alicia. Esta vem a sofrer um acidente, e entra em coma e acaba por ficar ao cuidado de Benigno. Cruzam-se ainda em destaque as vidas de Lydia e Marco. Ela faz touradas e ele um jornalista argentino. Um filme cheio de nuance, reviravoltas e histórias que se cruzam. Essa é a temática dos filmes desse diretor
Hoje no mundo capitalista, na árdua disputa da publicidade, só há a "gasolina" que eu amo, a pasta de dente que me deixa mais bonito, a cerveja importada que me deixa mais sexy. Sempre buscamos comer todas as moças da playboy, tentando achar um orgasmo pleno e definitivo.
Há toda a magia nesse filme, porque o amor do enfermeiro pela sua paciente em coma é impossível. Ser impossível é a sua grande beleza. Não se diz mais: "Deus sabe quanto amei!", mas "Deus nem sabe quantas amei".
Na prisão Benigno confessa para o seu amigo Marco: "Meu problema não é a cadeia, é ficar sem a Alicia".
Antes de entrar em coma, a Alicia contou ao enfermeiro que gostava do cinema mudo. Ele assistia todos os espetáculos que tinha e contava para ela, mesmo ela em coma, ele afirmava: "A mente da mulher é um mistério, ainda mais nesse estado (coma), tem que prestar atenção nelas, falar com elas, pensar nos pequenos detalhes..." Daí que vem o título do filme.
O amor é feito de egoísmos, de narcisismos, mas ainda assim, ele busca uma grandeza. Mesmo no terrível crime de amor há um terrível sonho de plenitude. Amar exige coragem e hoje somos todos covardes.
Quantos amam para humilhar o próximo com o seu amor imenso? Quantos amam por egoísmo? O que faz do amor tão inquietante é o medo da rejeição.
Eu pelo menos aprendi no método empírico, eu sempre fui vítima das mulheres; eu sou hoje o que as mulheres fizeram comigo. Eu sou o que eu aprendi com elas. Na paixão ou no ódio, a cada mulher, eu descobri defeitos e qualidades que me formam, como acidentes que foram me desfigurando. Há aquelas que nos matam com o silêncio, as orgulhosas...
Todo mundo quer ser amado, até o canhalha precisa de afeto.

No final o Benigno suicida-se, pois achava que a Alicia tinha morrido, ela iria se encontrar com ela. A carta dele ao seu amigo Marco:

"Querido Marco
...Ainda está chovendo, acho que é um bom presságio, quando Alicia se acidentou estava chovendo. Escrevo minutos antes de fugir. Espero que tudo que tomei baste para me colocar em coma... e me juntar à ela. Você é o meu único amigo. Te deixo a casa que preparei para Alicia e para mim. Onde quer que me levem, venha e me ver... e fale comigo... Me conte tudo, não faça segredos.
Adeus amigo"



quinta-feira, 22 de maio de 2008

Marcel Proust


Lembro-me da minha época de pré-vestibular, nossa quanto sofrimento. Eu fui um péssimo aluno no 2° grau, sai tão sem base da escola, que nem coragem de encarar uma faculdade particular eu poderia ter.
No cursinho eu estudei em excesso, vestibulares e mais vestibulares. Aí passei em Engenharia Ambiental em uma universidade federal, cursei um tempo, uma porcaria, não sei nada de cálculo, o negócio de mexer com plantinha não é uma coisa que me desperta interesse, sempre quis fazer Direito, mas a concorrência sempre me assustou.
Aí afoguei as mágoas na literatura, li tudo o que passou pela minha frente, lia sobre história, geografia e nada... Mesmo assim eu não passava em Direito.
Mudei-me mais uma vez de cidade, outro cursinho, não conhecia ninguém, solidão total, me sentia tão chato quanto o Nietzsche e o Schopenhauer. Eu tenho insônia, aí foram noites sem dormir, perdi peso, ansiedade, aflição, uma certa paixão platônica pela vizinha, mesmices que faziam parte do meu cotidiano...
Mas a minha dedicação foi muito grande, tinha remorso se deixasse de estudar, nos finais de semana a diversão era resolver as provas dos vestibulares de várias universidades conceituadas. Sorte que em decorrência do hábito da leitura, eu consegui melhorar bem a minha escrita, e isso me ajudou nas redações.
Fiz vestibular na unioeste, eu fui o 16° na lista dos aprovados. Foi muito difícil, acho que só eu sei dessa dificuldade, não consigo expressar ela. O resultado do vestibular era previsto para sair no dia 21/12, meu aniversário é no dia 16/12. No dia do meu aniversário eu acessei o orkut para ver os meus recados, aí uma menina escreveu: "Feliz aniversário... e parabéns também pela aprovação no vestibular". Quanta felicidade, confesso até uma lágrima furtiva no meu rosto, (ok... confesso, chorei mesmo!) depois tanto sofrimento para chegar lá, e cheguei. Se fosse fácil, que graça teria?
Hoje um bom tempo depois, vejo que eu era muito feliz nessa época. Talvez um total desperdício de tempo. Porém eu aprendi muito, foram dois anos de maior sofrimento, não se consegue sofrimento maior que esse. Hoje se eu estudasse em uma universidade particular que graça teria? Penso em todo o sofrimento que eu iria perder.
Olha a história do Marcel Proust: um escritor francês, perdedor total. Nunca teve um emprego de verdade, teve amores homossexuais não correspondidos. Passou vinte anos escrevendo um livro que quase ninguém leu. Possuía uma grande devoção à literatura: com saúde frágil, debilitado pela asma, ele se trancava no quarto, com paredes cobertas por cortiças para isolar os ruídos externos, atravessava as noites escrevendo. Mas ele deve ser o melhor escritor desde Shakespeare.
Enfim, ele chegou ao fim da vida olhou para o passado e se deu conta que todos aqueles anos que sofreu foram os melhores da vida, pois mostraram à ele quem ele era. Ou seja, aprendemos na dor, nós só amamos o que não possuímos completamente, assim como o Proust, aprendi nesses dois anos de sofrimento quem eu realmente era. Há um prazer perverso nas lembranças que tenho da época de cursinho, tantas coisas estranhas, não existe ansiedade maior do que esperar um resultado de vestibular, ainda mais quando nos preparamos muito para as provas.
A vida é puro sofrimento, depois de toda a dificudade do vestibular, vem a faculdade, depois buscamos um "lugar ao sol" no mercado de trabalho. A vida como diria Schopenhauer é uma eterna dor, aprenderemos cada vez mais na dor, viver é sofrer. Todos os anos em que eu era feliz eu não aprendi nada, total desperdício
Eu sempre incentivo as pessoas que acabam de sair do 2° grau a fazer um cursinho e batalhar por uma vaga disputada nas universidades públicas. Quando vejo meus amigos em faculdades particulares, penso no sofrimento que eles perderam! Mas cada tem o livre-arbítrio de fazer o que bem entender!
Essa é a minha história...

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Advogado dos 5 Crimes


O Advogado dos 5 Crimes – Filme de 1997, do gênero suspense, dirigido por Rowdy Herrington.

Cuba Golden Jr. é o advogado Lawson Russell um homem que cansou de tudo, da sujeira da advocacia e em pleno tribunal acusa seu cliente, fica avesso com o sistema, onde é inocente até que se prove a culpa, e se tiver dinheiro, a prova é difícil de conseguir.

Por causa desse ato ele não pode mais exercer a advocacia nos Estados Unidos, ele mudou-se para Key West para escrever um romance, o nobre causídico se achava tão inteligente na literatura quanto o Jonh Grishan.

Ficou em Key West por 13 meses, vivia como pescador para ganhar tempo e evitar de escrever o tal livro. Certo dia ele conheceu um idoso muito simpático, o Sr. Christopher Marlowe. Ele mudou recentemente para Key West, sua esposa faleceu e eles não tiveram filhos, era professor.

Levou ele para pescar, foram em um bar tomar uns drinks, uma pessoa muito agradável, mas tinha um ódio mortal por advogados, o velhinho recitava sempre um aforismo do Shakespeare: “A primeira coisa a se fazer é matar os advogados”.

Certo dia o Sr. Marlowe foi à casa do Lawson e lhe emprestou um romance para que ele falasse a impressão que teve do livro, disse-lhe que foi covarde e não contou a ninguém que o escreveu.

O livro era sobre advogados. Cinco, todos advogados de defesa bem pagos de cidades do sul. Todos clientes ricos e culpados. Rapazes ruins que mereciam ser presos. Todos absolvidos. Mas, em vez de perseguirem os bandidos, o assassino decide que os advogados é que devem ser punidos, ele mata todos, um por um. Cada assassinato é planejado e executado para parecer suicídio, acidente ou assalto. O livro era uma revelação, um clássico de suspense. Sem dúvida alguma o livro era brilhante.

O ex-advogado vai até a casa do velhinho para entregar o livro e comentar impressão que teve da obra, mas na frente da residência do idoso ele encontrou o detetive Goethe e este disse que o Sr. Marlowe teve um ataque cardíaco e faleceu. Como o ele não tinha parentes algum o Lawson movido por uma ambição gananciosa decide publicar o livro.

Sucesso imediato! Vendeu muito bem o livro, ele comprou uma Ferrari, capas de jornais e revistas, até um caso com a dona da editora que publicou a obra do ilustríssimo Lawson Russel.

Como o Macbeth de Shakespeare, onde a ganância leva ao desastre o dramaturgo nos prova que a ambição impiedosa leva a própria destruição e será essa ambição que destruirá o ex-advogado. Os crimes narrados nos livros são verossímeis, tudo ocorreu como descreve o livro, cada detalhe. A obra chegou às mãos do detetive Debose que era do departamento de homicídios que era encarregado de investigar essas mortes.

O Lawson foi preso e para provar a sua inocência seria difícil. Por sorte conseguiu escapar da Polícia e foi até Key West para investigar melhor sobre o Sr. Marlowe, foi até a casa onde ele morava, pesquisou sobre a morte dele, os telefonemas que fez, o ex-advogado estava mais confuso que uma freira em lua-de-mel.

Cruzando as ligações que o idoso fez ele chegou até o professor universitário Arthur Corvus. Ele lecionava teatro, drama, atuação, história do teatro e como escrever peças. Dá para entender a o talento dele para escrever o livro.

Invadiu a casa do professor e lá achou todos os indícios (máscaras, perucas, relógio etc.) que mostrava em tamanha cilada que ele entrou em uma grande armação, ou seja, o Sr. Marlowe era uma fraude ele era o Arthur Corvus.

Aristóteles disse: “Tudo o que fazemos é com segunda intenção” ou simplesmente para entender o feito, busque o motivo. Um dos advogados do livro, o Jeffey Lowell representou um banqueiro em Baton Rouge, acusado de atropelamento e fuga em estado de embriaguez. A mulher e a filha do professor foram mortas no acidente. O advogado retirou o caso da corte nos aspectos técnicos, ou seja, o banqueiro se safou e nasceu um assassino em série.

À noite o Lawson voltou armado na casa do professor Arthur Corvus para tentar matá-lo e acabou sendo surpreendido pelo serial killer também armado à sua espera. Lawson ficou sabendo de toda a história, o motivo dele odiar tanto os nossos nobres advogados com o livro ele testou o Lawson como Deus testou Jó. Eles saíram no soco e durante a briga apareceu o investigador Dubose (só não sei de onde ele apareceu! Coisa de filme mesmo), e este acabou sendo assassinado pelo professor e depois brigaram mais um pouco e o Lawson acabou matando o professor

Lawson foi preso, o livro vendeu muito e o fez milionário. Contratou um bom advogado e conseguiu ser inocentado do caso. Os fortes sempre pisarão nos mais fracos, de vez em quando talvez se consiga justiça. E é só o que podemos esperar. O Advogado foi tentado pelo diabo e vendeu a sua alma, como a famosa história do Dr. Fausto de poeta alemão Goethe.

Eu assisti esse filme antes de entrar na faculdade de Direito. Um dia fiquei lendo um livro do Erico Veríssimo até 3 da manhã, aí antes de dormir eu liguei a TV e estava começando o Corujão, gostei do filme. Mas ele é um filme B, se não tivesse nem o Cuba Golden Jr. ele passaria mais despercebido ainda. O filme sofreu as conseqüências de um filme ignorado pelo publico norte-americano: foi lançado aqui no Brasil diretamente em vídeo.

Uma ficção que registrou a realidade da corrupção contemporânea. Um excelente retrato da interferência capitalista na vida em sociedade e em detrimento da justiça. Apesar de algumas cenas utópicas, a questão central abordada pelo filme, creio ter sido, a vulnerabilidade do Judiciário, por meio de alguns, quanto aos interesses escusos e as práticas de perjúrio e prevaricação, que podemos observar no decorrer do filme. Um perfil de muitos advogados que atuam sem qualquer presença ideológica, o que indubitavelmente os coloca como escravos do "Poder Capitalista". Não é uma unanimidade, mas prejudica os ideais de justiça."

Todo advogado, ao menos uma vez em cada causa sente que atravessa uma linha que não queria. Acontece, se cruzar várias vezes ela desaparece, aí vira outra piada de advogados.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Cada um dos sexos tem a sua visão do amor!



Muito se fala na igualdade do amor, de um amor recíproco, ou seja, eu a amo tanto quanto ela me ama! Será que isso existe? O que o homem entende por amor difere da idéia da mulher. A mulher entende o amor como uma completa doação de corpo e alma sem restrição alguma, às vezes elas oferecem tanto e quase nada podemos dar em troca. A mulher entrega-se tanto que ela morre de medo que em uma relação que haja cláusulas e restrições. Um homem que ama como uma mulher se torna escravo; uma mulher, ao contrário, que ama como mulher se torna uma mulher mais realizada ...
A paixão da mulher é uma absoluta renúncia aos seus direitos próprios, ela busca uma paixão semelhante, uma renúncia recíproca, mas vejo que se ambos renunciassem a si próprios por amor, que tédio se tornaria a relação, nenhuma briguinha? Que graça iria ter! Eu sempre vejo que o amor segue na maioria das vezes aquela regrinha da genética que aprendemos no segundo grau, de gene dominante e recessivo. De um lado vai ter quem conduz a relação (dominante) e o conduzido (recessivo). O perfeito é quando há o equilíbrio nessa regrinha genética!
O homem que gosta de uma mulher exige dela um amor mais tranqüilo, totalmente distante das hipóteses do amor feminino. Se encontrássemos homens que experimentasse também esse desejo de entrega total não lhes fosse estranho, pois bem, esses não seriam – homens! Uma mulher que ama como mulher se torna uma mulher mais realizada, ao contrário, um homem que ama como mulher se torna um escravo.
Conhecem esses escravos? Já viu uns fracassados desse tipo? Após o fim do relacionamento o homem estufa o peito e finge que está bem, sai com todas que acha pela frente querendo passar uma imagem tranqüila, “nem gostava dela mesmo”, mas em casa à noite sozinho fica na cama chorando até dormir, pensando na música do Lobão: “Se ao menos na hora dela me deixar precisasse um pouco mais de mim... Se ao menos, no escuro eu conseguisse apagar, dormir sem pensar, apenas dormir sem sonhar”. Torna-se o mais idiota dos idiotas, um tremendo fracasso. O sonho de todo escravo é reencontrar a sua amada e num prazer exaustivo e todo perverso declamar toda a página 22 do livro “Eu sei que vou te amar” do Arnaldo Jabor que ele tanto leu.



“Estou cometendo um crime, estou impedindo que ela conheça a dura face da vida, eu não posso continuar bancando a mãe para ela”, pois eu tinha uma compulsão para te tratar bem, mas eu sabia que estava errado, aliás, eu quero te pedir perdão por isso, o único perdão que eu quero é que você me perdoe por ser bom! Me perdoa por ser bom!"



Eu tinha uma bondade fingida... desculpa por ser bom, eu te oprimia com a minha bondade... eu te paternizava... eu te usava... eu quero te pedir perdão por ter sido bom! (que beleza, isso seria discutir uma relação muito literariamente!). Ai o escravo fala para a dominante: “Mente pra mim, diz que me ama!”, ela: “eu te amo”, ele responde: “Você é uma mentirosa!” (zuei agora!).
Não sei nada sobre amor, amei tantas, espalhei tanto amor e acabei não amando nada! No filme “O Banquete do Amor” tem uma frase interessante referindo-se ao amor: “Há uma história sobre os Deuses gregos, que eram tão aborrecidos que acabaram inventando os seres humanos, mas eles ainda eram tão aborrecidos que inventaram o amor, então eles ainda estavam entediados. Então eles decidiram tentar amor por si. E finalmente, inventaram o riso, de modo que eles pudessem repousar.”
Os abismos das mulheres são venenosos, o seu mistério nos mata... Nós somos ciência, elas a arte! somos exatos e fálicos, elas se abrem como um leque, o seu mistério nos mata...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Olavo Bilac


DELÍRIO

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci.


Moralistas, perdoai! Obedeci. Esse é um dos poemas mais sensuais da nossa literatura. Olavo Bilac na minha mísera opinião é o maior de todos os poetas do nosso país. A primeira vez que li essa poesia eu fiquei deslumbrado, ainda mais declamado com todo o bom humor do meu professor de literatura do cursinho em Maringá PR.

O Bilac tem umas curiosidades interessantes, por exemplo, nome Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, quando dividido em sílabas poéticas se torna um perfeito verso Alexandrino, este que é composto por doze sílabas. Em geral, o verso mais longo, em estrofes isométricas. Presente em poesias extremamente trabalhadas gramática e foneticamente, como as parnasianas.

E o mais interessante de tudo! O Bilac nasceu no dia 16/12 assim como eu!

Ele é Autor da letra do Hino à Bandeira, entre as obras podemos considerar um soneto que se refere à língua portuguesa onde esta era apelidada de Última Flor do Lácio - aliás, o nome do próprio poema. Ele iniciou o curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que não chegou a concluir. Tentou, então, a Faculdade de Direito de São Paulo que também não concluiu, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. É autor do Hino à Bandeira Nacional.

Não to aqui para falar da biografia nem dos poemas do Bilac, quero falar é sobre uma dupla sertaneja que fez o Bilac ficar doido no seu túmulo! Olha essa música


Aparpando

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei a sua testa
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo e uma festa

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu nariz
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o chafariz

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei a sua boca
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo eu fico louca

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu pescoço
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o colosso

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu peitinho
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o caminho

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu umbigo
e ela disse é mais pra baixo
mais pra baixo é o perigo

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu pezinho
e ela disse é mais pra cima
mais é bem devagarzinho

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei sua canela
e ela disse é mais pra cima
mais pra cima vai da nela

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei o seu joelho
e ela disse é mais pra cima
mais pra cima um palmo e meio

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei sua virilha
e ela disse é mais pro lado
mais pro lado é a maravilha

Eu fui aparpa, fui aparpa
e aparpei logo de cara
e ela disse vagabundo
tira mão e larara...


O Parnasianismo a poesia vale por si mesma, não tem nenhum compromisso, e justifica por sua beleza, como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo.

Só queria imaginar o que o Bilac acharia desse lixo de canção! Com palavras chulas, um senso comum chatíssimo. Acho que a desgraça não tem fim! É mole? Como diz o outro, é mole, mas chacoalha para ver o que acontece!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O Homem que Fazia Chover


O Homem que Fazia Chover – Filme de 1997, do gênero Drama, dirigido por Francis Ford Coppola e roteiro baseado no livro de John Grisham.

John Grisham é um escritor estadunidense, o sexto mais lido nos Estados Unidos segundo a revista Forbes. Seus livros giram em torno de questões de advocacia, e geralmente criticam o sistema judiciário americano e as grandes firmas de Direito. Alguns de seus livros foram transformados em grandes produções cinematográficas, como Tempo de Matar, O Júri, A Firma e vários outros.

O diretor do filme é figurinha em Hollywood, conhecido por ser tio do Nicolas Cage, roterista e diretor do clássico O Poderoso Chefão de 1972. Outro dado interessante do Francis Ford Coppola, ele foi colega de classe de Jim Morrison do The Doors na UCLA (que mais tarde incluiria a música “The End” em seu filme Apocalypse Now).

O Homem que Fazia Chover narra a história do jovem advogado Ruby Baylor (vivido por Matt Damon) desempregad, idealista e cheio de sonhos, mas como todos recém formados necessitava de causas, afinal, o advogado é chamado de “brigão” e ele estava mesmo desesperado. O sócio dele Deck Schifflet (interpretado por Danny DeVito) era o verdadeiro picareta, tentou tirar a licença para a advocacia seis vezes e nunca conseguiu, mas auxiliava o jovem advogado com muita inteligência.

Sua principal causa é contra a companhia de seguros Great Benefit. Empresa que negou um transplante de medula óssea para o filho da pobre família Black

O menino precisava desse transplante para voltar a ter uma vida normal, mas a empresa negou o pedido da família sete vezes e na oitava vez eles responderam: “Cara Sra. Black. Sete Ocasiões anteriores esta companhia negou seu pedido. Está é a oitava e última vez. A Sra. Deve ser estúpida, estúpida, estúpida ...”

No decorrer do processo o filho da família faleceu, pela falta do transplante. Travou-se uma imensa batalha judicial. Ruby Baylor e seu ajudante tinham que derrotar os poderosos advogados e lobistas da grande Great Benefit, uma tarefa árdua para o inexperiente jovem.

Os advogados da Great Benefit propuseram de início um acordo de U$75.000 e depois outro de U$ 175.000 para encerrar o caso, mas a família não aceitou, querendo levar até o fim o processo.

O litígio foi para Júri popular, diferentemente do Brasil, onde apenas há Júri popular em crimes dolosos contra a vida. O talentoso Ruby Baylor conseguiu mostrar a má-fé da Great Benefit, mostrando o grande descaso que a companhia tinha com os seus assegurados.

O Júri é muito interessante, perguntas inteligentes do jovem advogado, réplicas bem articuladas por parte da Great Benefit, furto de provas, testemunhas inusitadas. O grande John Grisham é um mestre na arte do drama Jurídico. Enquanto o aplicado advogado trabalha com afinco em seu primeiro caso, apaixona-se por uma mulher casada (Claire Danes), cujo marido a atacou várias vezes (dando também ligeiro enfoque ao problema da violência doméstica), inclusive com um taco de baseball. A paixão não atrapalha o andamento da causa. Pelo contrário, serve como elemento essencial para o desfecho do caso.

O filme termina com a uma grande vitória do jovem advogado, a Great Benefit é condenada a pagar uma indenização de 50 Milhões de dólares pelos danos morais para a pobre famíia. O problema é que logo após essa condenação os executivos da empresa decretaram falência da empresa, ou seja, a família não recebeu nenhum dólar da companhia, mas eles ficaram contentes sabendo da falência da desonesta Great Benefit.

Rudy Baylor viu o lado negativo da sua profissão na sua primeira causa, cada advogado do país estava falando dele, fez história! Mas ele não se sentia um membro vitorioso da nobre profissão. Poderia continuar exercendo se trabalhasse de coração, conseguimos notar que o jovem ama a lei e todo cliente irá esperar a mesma magia dele, nada menos, talvez há como oferecer isso, caso não se importasse como fizesse e com certeza ele irá acordar um dia ver que se tornou mais um que tem um preço, sem ética como os advogados da Great Benefit. Todo advogado, ao menos uma vez em cada causa sente que atravessa uma linha que não queria. Acontece, se cruzar várias vezes ela desaparece, aí vira outra piada de advogados. Outro tubarão em água suja.

O Direito é um curso muito nobre, gosto do que estudo, no primeiro ano é tudo muito lindo, todos nós gostamos de estudar a lei e está é algo muito nobre, nos divertimos lendo Beccaria, Maquiavel, Focault. Montesquieu e vários outros clássicos do Direito. Porém cada vez que avançamos temos que ter cuidado, no quinto ano tem sorte se não é assassinado enquanto dorme em uma aula de Direito Tributário em um sábado à tarde... Mas essa é a natureza da profissão.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

The Doors



Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire


Quem não conhece essa magnífica música do The Doors.

Tenho um amigo chamado Fair. O pai dele adorava The Doors, deveria gostar bastante de "Light my Fire" e colocou o nome do filho dele de Fair, "Fire" ficou italianizado para um Fair.

The Doors foi uma banda de rock dos fins dos anos 60 e princípio da década de 70. Grupo composto por Jim Morrison (voz), Ray Manzarek (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria).
A banda retirou o seu nome de um título de um livro do Aldous Huxley “The Doors of Perception”. Tem um aforismo do Willian Blake que influenciou o nome da banda: “If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is: infinite” (em pt. Se as portas da percepção fossem abertas, tudo apareceria como realmente é: infinito).
O mais fascinante da banda é as influências literárias do poeta Jim Morrison, ele leu muito e tudo regado a muito whisky, misticismo. Lia Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire, Allen Ginsberg, Jack Kerouac. Eles estavam em pleno movimento hippie, extremamente influenciados pela literatura beat.
The Doors difere do pop da época com a sua intensa influência literária, com referências ao existencialismo e à psicanálise.
Jim Morrison, com a sua atitude e presença em palco, influenciou vocalistas de vários estilos que surgiram depois dele, permanecendo como um dos mais populares influentes compositores da história do rock.
Um dia estava em Maringá no Paraná estudando, centrado nos estudos e escutando “The End”. Depois de todo aquela psicodelia do teclado escutei aquele célebre frase:


“Father?","yes son", "I want to kill you"
"Mother...I want to...fuck you"


Pensei na hora: “-Porra, esses caras são do capeta!”.

Depois fui estudar sobre Édipo Rei de Sófocles, no qual o protagonista mata o pai e faz sexo com a sua mãe. Falar sobre incesto assusta a qualquer um.
O The Doors como uma típica banda influenciada pelo movimento hippie é totalmente contra a guerra. A canção The unknown soldier é bela, ao vivo eles representam um fuzilamento do Jim Morrison no palco. Uma crítica a guerra do Vietnã. A música Love Me Two Times eles fizeram para as namoradas dos soldados que iam para guerra (Me ame duas vezes, baby/ Me ame em dobro hoje/ Me ame duas vezes, garota/ Eu estou indo embora).


People Are Strange é muito interessante a sua letra:


Pessoas ficam estranhas quando você é um estranho
Rostos olham feio quando você está sozinho
Mulheres parecem malvadas quando você é indesejado
As ruas são irregulares quando você está pra baixo

Quando você é um estranho rostos vêm de fora da chuva (chuva, chuva)
Quando você é um estranho ninguém lembra seu nome
Quando você é um estranho
Quando você é um estranho
Quando você é um estranho


You Make Me Real (Você Me Faz Real)


Eu realmente te quero, realmente quero
Realmente preciso de você baby, Deus sabe que sim
Pois eu não sou autentico o bastante sem você
Oh, o que posso fazer?

Você me faz real
Você me faz se sentir como amantes se sentem
Você me faz dispensar misérias enganosas
Me liberta, amor, me liberta

Eu realmente te quero, realmente quero
Realmente preciso de você baby
Bem, eu não sou autentico o bastante sem você
Oh, o que posso fazer?



Quando Jim Morrison foi questionado pelo que é que ele gostava que fosse mais lembrado, respondeu: "As minhas palavras, meu, as minhas palavras." Morrison disse ainda: "Eu gosto de qualquer reação que possa ter com a minha música. Qualquer coisa que ponha as pessoas a pensar. Eu quero dizer que se conseguires pôr uma sala cheia de gente chapada e bêbada a refletir e a pensar, então realmente está a fazer algo."

Se eu fosse ficar postando todas as letras interessantes aqui eu poderia escrever um livro. Jim Morrison além do gênio do rock era um grande poeta e com a sua atitude, inteligência e loucura influenciou vocalistas de vários estilos que surgiram depois dele, permanecendo um dos mais populares e influentes vocalistas e compositores da história do rock.

Jim Morrison morreu de um ataque cardíaco em Paris, em 1971. O seu túmulo é uma das maiores atrações turísticas do cemitério Père Lachaise, na França

Em 2001, Ray Manzarek, John Densmore e Robby Krieger reuniram-se pela primeira vez em mais de vinte e cinco anos para tocar canções dos The Doors como parte da série VH1 Storytellers. A cantar com a banda estiveram vários vocalistas convidados, incluindo Ian Astbury do The Cult, Scott Stapp do Creed, Scott Weiland do Stone Temple Pilots, Perry Farrel do Jane's Addiction e Travis Meeks do Days of the New. O espectáculo foi mais tarde lançado no DVD VH1 Storytellers - The Doors (A Celebration).

Ray Manzarek afirmou uma vez: "Estamos todos a ficar velhos. Nós devíamos, os três, tocar essas canções porque, ei, o fim está sempre próximo. Morrison era um poeta, e acima de tudo, um poeta quer que as suas palavras sejam ouvidas." No entanto, em 2007, Densmore afirmou que só entraria no grupo, caso o vocalista escolhido fosse "desse nível" de Jim Morrison, como Eddie Veder do Pearl Jam




Rafael Máximo

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pé na Estrada!


Já teve vontade de colocar tudo em uma mala e sair mundo afora como mochileiro? Cuidado, pois se já teve essa vontade esse livro não é muito aconselhado. Jack Kerouac escreveu a sua “bíblia hippie” em apenas três semanas. Responsável por uma das maiores revoluções do século XX, On the Road escancarou ao mundo o lado sombrio do sonho americano, a partir da viagem de dois jovens – Sal Paradise e Dean Moriaty – que atravessaram os Estados Unidos de costa a costa. Acredita-se que Sal Paradise, o personagem principal, seja o próprio Jack Kerouac. Também são encontrados no livro alguns escritores na forma de personagens, como Allen Ginsberg, Carlo Marx, William Burroughs, e Old Bull Lee.
Ler “On The Road” me fez lembrar a vez que dei uma de “mochileiro”.
Fiz cursinho pré-vestibular em Maringá no Paraná em 2006. Meus amigos costumavam pegar caronas para ir a Umuarama para pegar umas baladas diferentes, ou até mesmo para irem visitar os pais. Já que todo mundo ia mesmo, resolvi um dia ir também. Dias antes aproveitei e já dei o “golpe” na minha mãe. Liguei para minha casa e pedi o dinheiro da passagem, não me lembro se fui para os botecos tomar umas cervejas, ou se comprei algum livro no sebo.
Convidei um colega que morava comigo na nossa República, queríamos ir de Maringá PR, até Iguatemi MS que é a cidade dos nossos pais. A distância é de aproximadamente 340 km. Almoçamos, e mais ou menos ao meio dia estávamos na rodovia com a plaqueta na mão “UNIVERSITÁRIO”. Demoramos aproximadamente uma hora e meia até conseguirmos uma carona, e ainda quando conseguimos tivemos o azar de ser uma carreta. Azar porque uma carreta demora demais.
O caminhoneiro era simpático, falava bastante... Creio eu que ele deva ter estudado até no máximo a 4ª série, sempre falando com um senso comum chato. Ou talvez eu que andasse estudando demais e sempre gostava (e gosto!) de escutar coisas inteligentes. Aí sem mais nem menos a carreta começa a falhar, pensei: ‘- Porra, agora fudeu!’. Descemos para ver o que era, chega lá, um problema no tanque de diesel tinha que “sangrar”. Caro leitor, não sei te dizer o que é isso: “sangrar”. Creio que seja tirar o ar do tanque, sei lá. Ou seja, aí começam os problemas, pois demoramos a arrumar carona, e esta ia apenas até Umuarama e ainda a carreta estraga no caminho.
Chegamos em Umuarama umas 5 da tarde. Isso era péssimo! E lá fomos nós com a nossa plaqueta “UNIVERSITÁRIO”. Creio que demorou uns 40 minutos para conseguirmos a nova carona. Nosso “bom samaritano” estava com um Celta, acadêmico de agronomia na cidade de Bandeirantes PR, morou um tempo com os irmãos nos Estados Unidos, onde possuem uma estufa de plantas exóticas. Até aí tudo bem, mas o problema é que o nosso nobre amigo ia apenas até Iporã.
Novamente estavamos na beira da rodovia, mais perdidos que eu cão quando cai da mudança! Arrumar carona tava mais difícil que endereço de ladrão! Estava tarde, começando a escurecer, ninguém nos dava carona! Comentei com o meu amigo:
- Mateus, sorte que eu trouxe um pouco de grana, caso contrário estaríamos fudidos!
Ele me responde:
- Relaxa cara, logo a gente consegue uma carona.
Por volta de umas 7 da noite pára um caminhão carregado de couro. Nossa !Fedia pra cacete aquele caminhão, mas era melhor que ficar na beira da rodovia. Pedimos para o motorista se ele podia nos levar até Guairá, pois de lá conseguiríamos ir ao MS com os universitários de Iguatemi que estudam lá.
O motorista nos disse que estava indo até Eldorado, aí nós resolvemos ir com ele até lá, esta cidade dista 35 Km de onde queríamos chegar, depois lá nós dávamos um jeito. Na entrada do MS tem um posto da Receita Federal e o motorista parou lá para carimbar a nota da sua carga fétida de couro. Aí vem a desgraça!
As notas da carga estavam irregulares e o caminhão estava detido até que trouxessem uns documentos, sei lá de onde! Este posto da Receita fica bem na entrada do Paraguai, lugar perigoso, onde há muito furto de carros , roubos, latrocínios... Porém mesmo assim fomos para a rodovia pedir carona. Ficamos uns 45 minutos tentando e nada! Isso já era umas 9 da noite.
A nossa sorte que um metropolitano parou para umas pessoas desembarcarem na Receita, aí fomos correndo até o metropolitano e conseguimos uma “carona” até Mundo Novo.
Chegando em Mundo Novo desisti da vida de mochileiro, liguei para a minha irmã vir me buscar! Passou-se uma hora mais ou menos, lá estava a minha irmã e minha mãe para nos levar para Iguatemi! Gastamos apenas uns R$8.00 do metropolitano, mas a diversão foi boa!

Essa foi a minha “On The Road”, não é nada comparada com as maluquices na estrada de Sal e Dean, mas adorei!
Pé na Estrada ...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A Lei de Zeca


Grande Nailor Marques Jr.

Um grande mestre, professor que me ensinou a importância da Literatura, a função da Arte.
Mostrou-me que o sucesso só é alcançado com muito estudo.





A lei de Zeca


Diz uma história, que numa cidade apareceu um circo, e que, entre seus artistas, havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural, que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar, para que assistissem ao tal artista, que possuía o dom de eliminar angústias.Um dia, porém, um morador desconhecido procurou o doutor, tomado de uma profunda depressão. O médico então, sem relutar, indicou-lhe o circo, como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou: “não posso procurar o circo... aí está o meu problema: eu sou o palhaço”.Como professor, vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalha para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento), porque depois de formados meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos juntos. Parece que quando meus meninos caem no mercado de trabalho, a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio.Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores. Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso. Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele. “O importante professor é que o cara embolsou milhões”, disse-me um; outro: “daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico”, todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça. O pior é quando a gente se dá conta que no Brasil é assim mesmo, sente-se maio sem saída, parece que só o que vale é a lei de Gérson: “o importante é levar vantagem em tudo”. A pergunta é: é possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém ganhar, é óbvio que alguém tem de perder.A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado; é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada; é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha; é cortar a fila do cinema ou da entrada do show; é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu; é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça; é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas; é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba; é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde; é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas; é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto; é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas; é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas (assim como costuma fazer a dupla sertaneja Lula e Duda). É a lógica da perpetuação da burrice. Quando um país perde, todo mundo perde. E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Parafraseando Schopenhauer: não há nada tão desgraçado na vida da gente, que ainda não possa ficar pior.Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. A luz é e sempre foi a metáfora da inteligência. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter. Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História, quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros. Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dirceus, Dudas e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes, de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro, para país do só furo. De um presidente da república espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência. De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) agindo como quem é honesto. A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos. Quem plantar joio, jamais colherá trigo.Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso. Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando “bis” e, como todos sabemos, um bis não se despreza. Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo! bravo! E vamos todos rindo e afinando o coro do “se eu livrar a minha cara o resto que se dane”. Enquanto isso o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz: “esse é o problema... eu sou o palhaço”.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Bush- Sixteen Stone


Esse cd tem para mim tem uma história legal. Eu conhecia a uns seis anos atrás poucas músicas do Bush. Tenho um amigo que gosta de música eletrônica, aí me perguntou se queria trocar o “Sixteen Stone” do Bush em troca de um cd de música eletrônica que eu tinha. Não pensei duas vezes. O meu cd de música era falsificado e o cd do Bush dele original. Grande negócio.
Um ano depois mais ou menos, na casa desse mesmo amigo tinha um churrasco, entre os convidados tinha um médico novo da cidade e outros amigos da academia.
Estavamos curtindo um som lá, aí o médico disse que estava com vontade de escutar Bush, e começou a cantar: “Love and hate get it wrong” e completei a frase: “she cut me right back down to size”.
Ele me olhou assustado, e perguntou se eu gostava de Bush, respondi que gostava e tinha o Sixteen Stone da banda. Ele ficou feliz, e perguntou se eu queria vender o cd a ele, disse que não me interessava em vendê-lo, aí me ofereceu R$30. Não pensei duas vezes, vendi na hora, esse dinheiro para um menino de 16 anos é muita grana.
Esse Cd é excelente, um pós-grunge perfeito, melodias tranqüilas, a voz rouca e inconstante do Gavin Rossdale.
Nesse disco temos os clássicos: Machine Head, Little Things, Glycerine, Come Down, Everything Zen etc… Temos também Body e Alien, ambas espetaculares, canções suaves, tranqüilas.
Apesar de a banda ter atingido o estatuto de super-estrelas nos Estados Unidos, o seu impacto nos tops musicais do Reino Unido pouco se fez sentir, com exceção do single “Swallowed”, que chegou a ser a sétima colocada nas rádios. A banda se separou de forma não-oficial em 2002.
Dois anos depois Gavin Rossdale, formou o Institute. O seu primeiro álbum, Distort Yourself, lançado a 13 de Setembro de 2005, alcançou sucesso moderado e o single “Bullet-proof skin” foi utilizado no filme “Stealth”.
Rossdale participou na banda sonora do filme “Triplo X”, em 2002, com a canção “Adrenaline”. A canção foi também utilizada como tema oficial do evento do WWE, Unforgiven, em Setembro de 2002.
Em 2005, Rossdale fez uma aparição no filme Constantine, fazendo o papel do vilão Balthazar. Também teve participação em Zoolander (2001), The Mayor of Sunset Strip (2003), Little Black Book (2004) e The Game of Their Lives (2005).
Rossdale tem casas em Primrose Hill (Londres) e na Califórnia, e costuma participar no circuito de tênis de grandes celebridades.
No dia 14 de Setembro de 2002, Rossadale casou com Gwen Stefani, vocalista da banda de punk ska, os No Doubt. A 26 de Maio de 2006, nasceu o seu primeiro filho, Kingston James McGregor Rossdale em Los Angeles.



Faixas do Disco:


1. Everything Zen
2. Swim
3. Bomb
4. Little Things
5. Comedown
6. Body
7. Machinehead
8. Testosterone
9. Monkey
10. Glycerine
11. Alien
12. X-Girlfriend


Discografia completa da Banda: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=76652


Diga não à Pirataria
Não roube navios!
Rafael Máximo
10-12-07

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Comportamento


Nunca me interessei por reportagens sobre Comportamento, Saúde, Fofocas. Sempre que leio revistas e jornais procuro saber mais sobre literatura, lançamento de livros, filmes, tecnologia, política. Porém a capa da ISTOÉ me chamou a atenção "Como entender seus filhos", como a ordem de nascimento das crianças pode marcar a personalidade e até sugerir o destino de cada um.
Eu como o caçula da minha família, achei muito interessante a reportagem, vi a minha família naquelas páginas, o comportamento da Aline minha irmã do meio, do Rodrigo meu irmão mais velho
A chegada de novas pesquisas sobre a ordem de nascimento pode ajudar os pais a compreender seus filhos, por exemplo, esclarecer à família que a natureza do primogênito não o dispõe a ser tão brincalhão como o menor dos irmãos. Por que, então cobrar que ele seja mais atirado? É evidente que outros fatores, como o status social e o grau de escolarização da família, contribuem para a formação da personalidade das crianças
Um dos mais recentes é a análise de aproximadamente 250 mil recrutas das Forças Armadas da Noruega, avaliou exames de saúde e testes de QI aplicados a esses jovens e separou os resultados conforme a posição ocupada pela família. Ele descobriu que os primogênitos ou os que acabaram ocupando o posto de primeiro filho (em caso de morte precoce do irmão mais velho) apresentaram QI com 2,3 pontos a mais que os segundos filhos. Eles, por sua vez, têm 1,1 ponto a mais no QI do que os terceiros filhos. Os que nasceram primeiro seriam mais inteligentes? Não exatamente. A metodologia utilizada por Kristensen mostra que a premogenitora, em si, não é a razão do QI mais elevado. O que faz a diferença, no caso, é o desenvolvimento que o mais velho tem com os irmãos menores. É o convívio com os pequenos, que estão em fases anteriores de aprendizado, assim ele treina mais seus conhecimentos.
Uma recente pesquisa de mestrado comandada pela psicóloga Julia Badger mostra que os filhos menores estabelecem uma certa rivalidade com os mais velhos. “Eles querem provar que têm algo a mais, enquanto os primogênitos tem na cabeça que estão anos à frente de seus irmãos”, explica Julia.
Os pais colocam muita expectativa sobre o primeiro, que se apega às responsabilidades. O filho menor fica meio abandonado, já que todos estão cansados. O segundo filho vem com a porteira aberta. É mais livre, podemos denominá-lo como "filho sanduíche", pois ele fica apertado entre o primeiro e terceiro filho.
Segundo Sandra Black, professora de Economia da Universidade da Califórnia, os primogênitos têm probabilidade de ganhar mais dinheiro do que seus irmãos, enquanto os rendimentos dos filhos menores caem 1% a cada grau na “escadinha”. Uma das razões desse fenômeno seria o fato de o filho mais velho normalmente ter mais oportunidades de estudar em uma boa escola ou em situações mais favoráveis. Isso porque os pais não têm despesas com a educação de outras crianças, o que permite pagar um colégio melhor e dedicar mais atenção ao seu desenvolvimento. A chegado do segundo filho leva a uma partilha do orçamento, além da divisão dos cuidados. Com duas crianças ou mais, é natural que os pais enfrentem dificuldades maiores para ajudar os herdeiros nas lições.
Uma pesquisa da Nem York University feita com CEOs de grandes companhias, revela que executivos que são primogênitos procuram fazer aprimoramentos nas empresas, cobrando pontualidade e cumprimentos das metas, entre outros itens. Os que não são primogênitos gostam de fazer transformações e partem para inovações. Os caçulas, principalmente, são os visionários. Normalmente esbanjam criatividade.
O perfil de cada filho (as características abaixo são resultados de diversos estudos científicos):
Primogênito: Tem as melhores notas escolares. Está mais preocupado em corresponder às expectativas familiares. Geralmente assume a responsabilidade pelos pais na velhice. Pode ser o filho com maiores rendimentos. E também o mais realista.
O Rodrigo sempre foi bem na escola, dos três filhos foi o único que nunca reprovou no 2° grau (Já na faculdade não posso dizer o mesmo!). Sempre foi o mais independente dos filhos, logo cedo começou a trabalhar, em pouco tempo obteve a sua estabilidade financeira, é bem realista, um cara fálico nos seus softwares. Ele é anti-social, não me lembro de um almoço com o meu irmão na casa dos meus parentes, assim como nos vizinhos. Será o apego as responsabilidades que os pais cobram do primeiro filho? Sei lá!
Filho do Meio: Tende a querer se diferenciar do mais velho, escolhendo uma profissão oposta à do primogênito. É possível que tarde a escolher a carreira. Emotivo, pode desenvolver problemas de auto-estima por não ser nem o primogênito, nem o caçula.
A Aline é a típica filha do meio, problemas de auto-estima. Nunca soube o que fazer, na dúvida fez Ed. Física. Creio que os grandes opostos são entre o primogênito e o caçula, o filho do meio acaba passando meio despercebido. A minha irmã é o ser mais sossegado que existe, tem uma paciência de dar inveja a um baiano.
Caçula: Está meio disposto a correr riscos. Há uma maior probabilidade de ser artista, esportista, aventureiro ou empreendedor. Pode ser menor que os irmãos mais velhos. Costuma ser o mais engraçado da família.
Falar dos outros é fácil, quanto a mim concordo plenamente com os dados dos pesquisadores, sempre o caçula, tem um pendor à rebeldia por não querer seguir um possível roteiro desenhado pelos pais, roteiro este que o mais velho normalmente aceita. Todos brigam com o caçula, mas logo depois todo passam "a mão na cabeça" do mais novinho. Sempre fui o mais "acelerado" dos filhos, o que mais deu preocupação, mais trabalho... Creio que os primogênitos tendem a ser conservadores e os que vêm depois levam a vida menos a sério.



*Fontes das pesquisas referidas no texto: ISTOÉ/1986-21/11/2007 pag. 61-65

Rafael Máximo 28/11/07